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Santos se sente abandonado pela torcida na Vila Belmiro

Agencia Estado
Por Agencia Estado

A situação não poderia ser mais favorável para o Santos. Zé Roberto foi absolvido pelo STJD, e o próximo adversário, sábado, o São Caetano, está caindo na tabela, penúltimo colocado no Brasileiro. Mesmo assim, os jogadores têm uma queixa: a falta de apoio do torcedor nos jogos na Vila.

Uma reclamação que procede. O clube tem a sexta pior média de público do campeonato - 8.729 pagantes - , ficando à frente apenas de Botafogo, Goiás, Ponte Preta, Juventude e São Caetano. "Acho que o torcedor não acredita muito na nossa equipe", opina o meia Rodrigo Tabata, coincidindo com o que pensa Heleno e usando quase as mesmas palavras que o novo titular do time.

O técnico Vanderlei Luxemburgo, ao mesmo tempo que julga fundamental o time jogar em seu estádio, onde seu índice de aproveitamento é de mais de 90%, demonstra irritação com qualquer manifestação da torcida que não seja de aplauso. "Tem meia dúzia de idiotas que deveria ficar em casa, em vez de ficar enchendo a paciência aqui", disse o técnico, referindo-se aos torcedores das sociais que vaiaram uma jogada de André Oliveira, sábado, contra o Figueirense. "Por que eles não se comportam como as organizadas?"

O baixo comparecimento de torcedores à Vila não é um fenômeno novo. No auge de sua história, entre 1960 e o início dos anos 70, o Santos levava multidões em todos os estádios do mundo, à exceção da Vila, e por essa razão preferia mandar a maioria de seus jogos no Pacaembu ou Morumbi e até mesmo no Maracanã. "O Santos ganhou apenas duas vezes a Libertadores porque era uma competição que não interessava ao clube do ponto de vista financeiro. Nosso time lotava os estádios fora, dava lucro para eles e depois tinha prejuízo na Vila", lembra o ex-capitão Zito. "As excursões pelo mundo afora rendiam mais."

Alberto Francisco de Oliveira Júnior, o Alemão, assessor do presidente santista Marcelo Teixeira, aponta o pay-per-view como o maior responsável pelo esvaziamento dos estádios. "E ainda a proibição da venda de cerveja nos estádios. O torcedor prefere ficar no bar vendo o jogo pela televisão. Com os R$ 15 ou R$ 20, que são os preços do ingressos, dá para tomar muita cerveja."

Alemão admite que o torcedor do Santos nunca foi de ir ao estádio, nem nos tempos de Pelé. "A não ser em clássicos. O que está enchendo os estádios é a promoção da Nestlé. Com pouco dinheiro uma família compra os biscoitos, troca por ingressos e todos vão ao jogo."

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