ESPORTES
Sem dinheiro, mas às compras
No Bahia é assim, do sonho da vaga na Copa Libertadores da América para o prenúncio de rebaixamento à Série C. Mesmo que seja de maneira meteórica, como anteontem, na despedida da Copa do Brasil. O mais popular clube do Estado, sempre suscetível à euforia, encerrou a ilusão de líder e voltou ao pesadelo de um Campeonato Baiano nivelado por baixo.
Apesar da crise financeira, o tricolor precisa contratar reforços. E não só para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, que começa em 10 de maio. A comissão técnica teve justificado seu pedido de jogadores, depois que o time parou na primeira fase da Copa do Brasil, diante do modesto Icasa, campeão do primeiro turno cearense. Mais um vexame para a coleção recente.
Ausente da Série A desde 2003, o Esquadrão de Aço tem como principal objetivo retornar a ela, nesta temporada. Até para multiplicar por quatro sua cota do Clube dos Treze e passar a receber aproximadamente R$ 12 milhões em 2009.
A crise financeira do tricolor dificulta contratações há tempos. Ainda para o Baiano, o treinador Paulo Comelli pensa em trazer dois ou três meio-campistas. O prazo para inscrições termina em 3 de abril.
Também são esperadas dispensas após o Estadual. “Isso é normal. Às vezes, um jogador não acerta num time e acerta em outro”, minimiza Comelli. A diretoria retomou a busca por reforços. “Estamos conversando, está tudo no planejamento”, acrescenta o treinador.
Mas, até pelo baixo poder de compra, as aquisições exigem critérios. “Jogador que eu conheça. Independente de ser do Rio Grande do Sul, de São Paulo, de Santa Catarina, do Paraná...”, adianta Paulo Comelli, que pretende contar com cerca de 26 atletas. Ou seja, haveria pelo menos uma dupla disputando cada posição. “Hoje, tem uns oito juniores no time profissional”, compara.
EFEITOS – Paulo Comelli, que chegou em janeiro para comandar o plano de volta à elite nacional, evita precipitações. Prefere analisar a campanha inteira, sem o peso dos dois fatídicos confrontos de mata-mata com o Icasa. “Foram 17 jogos já. Avaliamos o todo. Não é porque ficou fora (da Copa do Brasil), que ninguém presta e tem que sair”, pondera.
Ele, aliás, considerou injusta a eliminação do Bahia. “Pelo que produziu, não merecia, na minha opinião”. Mas admite: “erramos muito”. O treinador não descarta que o insucesso abale o tricolor. “Sentir, todo mundo sentiu, é normal. Ficamos muito abatidos depois do jogo”.
Antes do desastre, Comelli já dizia não se iludir pela liderança do Campeonato Baiano, que ampliou seu crédito pelos triunfos nos dois Ba-Vis de 2008.
Mas o Icasa expôs a fragilidade do time, que se baseia em contragolpes e gols de bola parada. Afloraram as preocupações, contidas por um bom início de ano – algo raro na história recente do clube.
O Bahia estréia na Série B contra o Fortaleza, em Feira de Santana, em 10 de maio. Fecha a campanha em 29 de novembro, na casa do Gama.
COFRE VAZIO – O Bahia deixou de embolsar R$ 41 mil da premiação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aos clubes que avançam à segunda fase. Poderia arrecadar também R$ 13 mil da bilheteria em Juazeiro do Norte, se despachasse o Icasa no duelo de ida.
Ainda deixa de enfrentar o catarinense Criciúma, na etapa seguinte da competição, e abocanhar, pelo menos, boa grana com ingressos. Os 3.143 pagantes de anteontem geraram R$ 9.111,48 líquidos ao tricolor.
Mas é só o fim na Copa do Brasil. Ainda não é o fim do mundo, que o Esquadrão de Aço viu de perto em 2007, sem vaga assegurada na Série C.
Talvez como único benefício da saída prematura nesta Copa do Brasil, o Bahia diminui a carga desgastante da maratona de jogos neste início de temporada. Agora, se concentra no Campeonato Baiano, sem se preocupar com outro certame.
Terá mais tempo para preparação física e descanso. Para o primeiro buraco aberto no calendário, será antecipado de 21 de março, uma sexta-feira, para o dia 19, o duelo com o caçula Feirense.
Na doída reapresentação de ontem à tarde, no Fazendão, o elenco se dividiu para exercícios. Aos atletas mais exigidos no duelo com o Icasa, coube o chamado treino regenerativo, mais leve, com musculação, corrida e piscina.
O resto do plantel bateu bola no gramado principal do centro de treinamentos. Nesta sexta-feira, 7, o coletivo-apronto está marcado para as 16 horas.
Domingo, 9, contra o Ipitanga, em Feira de Santana, às 17 horas, pela 16ª rodada do Campeonato Baiano, o meia Elias, retorna. Suspenso por indisciplina na Série C de 2007, ele cumpriu duas ausências na Copa do Brasil, contra o Icasa.
O volante Marcone, habitualmente improvisado na zaga, sai, punido por três cartões amarelos.