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Triatleta encara poeira e cães em treino na zona rural

Aurélio Lima
Por Aurélio Lima
Wellington deixa para trás Drico e Bolinha, seus fiéis perseguidores
Wellington deixa para trás Drico e Bolinha, seus fiéis perseguidores - Foto: Adelmo Borges l Divulgação

O treinamento do triatleta Wellington Oliveira, na zona rural de Santo Antônio de Jesus, é 'pisando em ovos', na base do 'pernas para que te quero' e fazendo da própria camisa uma máscara improvisada contra a poeira no nariz.

Um dos dois nordestinos entre 11 brasileiros inscritos no Campeonato Mundial de Duatlo, que será disputado no próximo fim de semana, na Austrália, o baiano sinaliza como barreiras na sua preparação os buracos na pista de barro, que o obrigam a pisar com cautela para evitar lesões.

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Também dedica atenção aos seis cachorros que cismam em persegui-lo. Em plena corrida, ele tem de encarar o territorialismo animal, após uma ladeira de 600 m na localidade do Benfica. Os cães montam guarda permanente, atentos ao movimento.

"Eles já me conhecem e eu a eles. Quando venho descendo e me veem, correm para cima de mim", relatou. "São todos vira-latas, mas daqueles que mordem se você der mole", completou o triatleta, que se defende batendo o pé no chão com força e ameaçando os cães com gritos e um galho de árvore. Drico e Bolinha, os mais enjoados, costumam manter a perseguição por mais tempo.

Comendo poeira

Buraco e poeira completam a série de obstáculos principais que, como lembra Wellington, estão atrelados às estações do ano. Na época chuvosa a poeira baixa, mas os pneus dos carros criam irrregularidades no terreno que podem gerar lesões se ele pisar de mau jeito.

No atual tempo quente, carros levantam um poeirão que obriga o triatleta a prender a respiração com a camisa.

Aspirar poeira na hora em que o físico está sendo exigido no treino exaustivo e conter a respiração quando os pulmões pedem ar são sacrifícios necessários para o objetivo de encarar 10 km de corrida, seguidos de 40 km de bicicleta e e mais 5 km a pé no Mundial.

"Meu plano é ficar entre os cinco primeiros da categoria 30 a 34 anos e fazer um tempo de 1h58min", projetou. Na edição do Mundial do ano passado, ele se classificou em 24º da categoria 30 a 34 anos, melhor resultado até agora.

Seria um presente oportuno para Wellington, que completará 34 anos na quinta-feira. O maior presente ele garante ter recebido há dois anos e meio, quando passou a ser patrocinado pela empresa em que trabalha, a Natulab.

"Trabalho de 6 às 14h20, e à tarde treino na roça", contou. O patrocinador banca passagem, hospedagem, alimentação, inscrição e suplemento para as competições como o Mundial na Austrália.

A empresa mantém um programa de apoio a atletas amadores de karatê, triatlo e futebol. Tanto que trabalham na fábrica, como em Santo Antônio de Jesus.

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