Otan reforçará soldados no leste e faz advertência à China

Líderes da organização buscam reafirmar o apoio à Ucrânia com gestos concretos

Publicado quarta-feira, 23 de março de 2022 às 14:04 h | Atualizado em 23/03/2022, 14:03 | Autor: AFP
"O uso de armas químicas é absolutamente inaceitável e teria efeitos profundos", disse o presidente do EUA
"O uso de armas químicas é absolutamente inaceitável e teria efeitos profundos", disse o presidente do EUA -

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) afirmou, nesta terça-feira (23), que está preparando a mobilização de forças de combate extras para quatro países de seu flanco leste e fez uma advertência à China por seu apoio à Rússia na Ucrânia.

Na véspera de uma cúpula da aliança em Bruxelas, o secretário-geral da entidade, Jens Stoltenberg, prepara o envio de grupos táticos adicionais que já estão na Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia.

"Espero que os líderes estejam de acordo com o fortalecimento da posição da aliança em todos os domínios (...) O primeiro passo é o envio de quatro novos grupos de combate para Bulgária, Hungria, Romênia e Eslováquia", afirmou Stoltenberg.

Além disso, devem aprovar o apoio específico "para outros parceiros que enfrentam o risco de pressão russa, incluindo Geórgia e Bósnia".

Nessa cúpula, os líderes da Otan buscam reafirmar o apoio à Ucrânia com gestos concretos.

"Estamos determinados a fazer tudo o que pudermos para apoiar a Ucrânia. Mas temos a responsabilidade de garantir que a guerra não escale além da Ucrânia para um conflito Otan-Rússia", acrescentou.

Tal cenário, observou Stoltenberg, "causaria ainda mais morte e ainda mais destruição".

De acordo com ele, a Otan espera aprovar "suporte adicional, incluindo assistência em cibersegurança, assim como equipamentos para ajudar a Ucrânia a se proteger de ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares".

Nesta mesma terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse em Washington que a possibilidade de um ataque russo com armas químicas na Ucrânia era uma "ameaça real".

Stoltenberg afirmou que o uso de armas nucleares "mudará fundamentalmente a natureza do conflito. A Rússia deve entender que nunca se deve travar uma guerra nuclear e que nunca se pode ganhar uma guerra nuclear".

Para o chefe da aliança atlântica, "a Rússia deve cessar suas ameaças nucleares. Isso é perigoso e irresponsável".

Da mesma forma, o uso de armas químicas mudaria completamente o cenário da guerra. "A mensagem mais importante agora é que o uso de armas químicas é absolutamente inaceitável e teria efeitos profundos", disse.

Nesse cenário, Stoltenberg também fez uma advertência à China, acusando-a de contribuir para divulgar "mentiras" preparadas pela Rússia.

"A China forneceu apoio político à Rússia, inclusive por meio da divulgação de mentiras descaradas e de desinformação. Os aliados se preocupam que a China forneça apoio material à invasão russa", disse.

Por conta disso, os líderes da aliança militar devem "fazer um apelo à China para que cumpra suas responsabilidades como membro do Conselho de Segurança da ONU e se abstenha de apoiar o esforço de guerra" russo na Ucrânia.

Da mesma forma, a Otan está preparando um apelo para que Belarus "acabe com sua cumplicidade" com as operações da Rússia na Ucrânia.

Belarus, acrescentou, "permite a invasão" da Ucrânia, fornecendo pistas e infraestrutura militar, e permitindo que a Rússia "use seu espaço aéreo".

A Otan resiste aos insistentes pedidos do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para a implantação de uma zona de exclusão aérea sobre o território ucraniano, pois isso poderia representar um conflito aberto com a Rússia.

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