IMÓVEIS
2026 chega com intenção de compra acima do patamar pré-pandemia
Bahia acompanha tendências nacionais, com Salvador como principal polo e o fortalecimento do interio

Por Joana Lopes

O mercado imobiliário brasileiro entra em 2026 sustentado por um dado central: a demanda segue firme, mesmo diante de um cenário econômico que promete volatilidade.
Estudos recentes e avaliações de lideranças do setor indicam que o desafio deixou de ser convencer o consumidor a comprar e passou a ser compreender, com maior precisão, como ele quer morar.
Na Bahia, esse movimento acompanha as tendências nacionais, mas ganha contornos próprios com a consolidação de Salvador como principal polo e o fortalecimento de cidades médias do interior.
Levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, mostra que a intenção de compra de imóveis no Brasil fica entre 48% e 49% em 2025, acima do nível pré-pandemia, quando o índice girava em torno de 43%.
A pesquisa considerou famílias com renda mensal acima de R$ 2.500, universo que representa cerca de 43,7 milhões de lares no país. Mais do que intenção, os dados revelam avanço concreto da procura. Entre março e junho de 2025, mais de 400 mil novos lares passaram a buscar ativamente um imóvel, migrando da fase do desejo para a etapa de pesquisa, visitas e negociação.
Esse movimento reflete transformações demográficas, rearranjos familiares e, sobretudo, a entrada de uma geração mais jovem no ciclo imobiliário. A Geração Z, formada por pessoas nascidas entre meados dos anos 1990 e o início dos anos 2010, surge como um dos principais vetores de crescimento da demanda.
Entre os jovens de 21 a 28 anos, 61% afirmam desejar comprar um imóvel. A busca está fortemente associada à autonomia, ao fim do aluguel e à possibilidade de organizar a própria rotina a partir de localizações mais centrais e conectadas.
Programas de financiamento, como o Minha Casa, Minha Vida, aparecem como instrumentos decisivos para antecipar a independência residencial desse público.
As escolhas, no entanto, seguem uma lógica distinta da observada em gerações anteriores : menos foco em metragem ampla e mais atenção à funcionalidade, à mobilidade urbana e ao custo total de morar.
Na avaliação do presidente da Abrainc, Luiz França, o comportamento do consumidor reforça a resiliência do setor.
A força da intenção de compra e a busca consistente por moradia própria demonstram um mercado com grande potencial de crescimento, com o jovem assumindo papel cada vez mais relevante
Morar ou investir
Apesar do aumento da profissionalização do aluguel e do interesse por imóveis como ativo financeiro , a compra para uso próprio continua predominante.
Nos últimos dois anos, entre 64% e 80% das aquisições tiveram como objetivo a moradia. O investimento, seja para locação, seja para revenda, manteve participação relevante, variando entre 20% e 36%, reforçando o papel dual do imóvel como residência e instrumento de proteção patrimonial.
As motivações revelam decisões ligadas a transições de vida. Não pagar mais aluguel lidera as razões para compra, citado por 33% dos entrevistados , seguido pelo desejo de morar em uma residência maior (21%) e sair da casa dos pais (11%).
Busca por mais benefícios, como lazer, segurança e localização, e por imóveis mais novos também aparecem com peso significativo.
Se a demanda está garantida, o formato da oferta passa por ajustes. Para 2026, especialistas apontam consolidação de tendências que já vêm se desenhando desde 2024.
Entre elas, o avanço da moradia tratada como serviço, com empreendimentos preparados tanto para venda quanto para operação de aluguel, e a valorização de plantas mais inteligentes, com ambientes flexíveis e menor desperdício de área.
Segundo o CEO da Incorporadora Netcorp Itália, Fabrizio Bevilacqua, o imóvel deixou de ser encarado apenas como sonho.
O comprador está mais informado, compara opções, entende preço por metro quadrado, custo de condomínio e potencial de valorização. A decisão passou a ser estratégica: faz sentido para o meu bolso e para o meu estilo de vida ao longo do tempo?
Essa lógica favorece unidades compactas, bem localizadas e com áreas comuns que dialogam com a rotina real, como espaços de coworking, academias e áreas compartilhadas.
A boa localização, antes associada apenas a bairros nobres ou centrais, passa a ser definida pela proximidade de trabalho, transporte, serviços de saúde, educação e lazer.
Na Bahia, essas transformações são visíveis. De acordo com o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA), Cláudio Cunha:
A Geração Z já impacta diretamente o desenvolvimento dos produtos locais
Salvador e a Região Metropolitana seguem como o principal polo imobiliário do estado, concentrando lançamentos e investimentos.
Ao mesmo tempo, cidades médias como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Ilhéus, Juazeiro, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães ganham relevância, impulsionadas por crescimento econômico, demográfico e melhor infraestrutura urbana.
Para 2026, o setor deve operar em um ambiente de maior atenção ao cenário macroeconômico, marcado por eleições, ajustes decorrentes da reforma tributária e possíveis mudanças nas regras do crédito habitacional.
Ainda assim, a expectativa é de competitividade maior, com incorporadoras apostando em diversificação de produtos, uso intensivo de dados, tecnologia e novos modelos de financiamento.
A combinação entre demanda jovem, mudanças urbanas, sustentabilidade e inovação nos posiciona para um ciclo de crescimento alinhado às transformações do consumidor
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes