Busca interna do iBahia
HOME > IMOBILIÁRIO
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

IMÓVEIS

2026 chega com intenção de compra acima do patamar pré-pandemia

Bahia acompanha tendências nacionais, com Salvador como principal polo e o fortalecimento do interio

Joana Lopes

Por Joana Lopes

03/01/2026 - 13:41 h
Bairros com infraestrutura são os mais procurados
Bairros com infraestrutura são os mais procurados -

O mercado imobiliário brasileiro entra em 2026 sustentado por um dado central: a demanda segue firme, mesmo diante de um cenário econômico que promete volatilidade.

Estudos recentes e avaliações de lideranças do setor indicam que o desafio deixou de ser convencer o consumidor a comprar e passou a ser compreender, com maior precisão, como ele quer morar.

Tudo sobre Imobiliário em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Na Bahia, esse movimento acompanha as tendências nacionais, mas ganha contornos próprios com a consolidação de Salvador como principal polo e o fortalecimento de cidades médias do interior.

Levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, mostra que a intenção de compra de imóveis no Brasil fica entre 48% e 49% em 2025, acima do nível pré-pandemia, quando o índice girava em torno de 43%.

A pesquisa considerou famílias com renda mensal acima de R$ 2.500, universo que representa cerca de 43,7 milhões de lares no país. Mais do que intenção, os dados revelam avanço concreto da procura. Entre março e junho de 2025, mais de 400 mil novos lares passaram a buscar ativamente um imóvel, migrando da fase do desejo para a etapa de pesquisa, visitas e negociação.

Esse movimento reflete transformações demográficas, rearranjos familiares e, sobretudo, a entrada de uma geração mais jovem no ciclo imobiliário. A Geração Z, formada por pessoas nascidas entre meados dos anos 1990 e o início dos anos 2010, surge como um dos principais vetores de crescimento da demanda.

Entre os jovens de 21 a 28 anos, 61% afirmam desejar comprar um imóvel. A busca está fortemente associada à autonomia, ao fim do aluguel e à possibilidade de organizar a própria rotina a partir de localizações mais centrais e conectadas.

Programas de financiamento, como o Minha Casa, Minha Vida, aparecem como instrumentos decisivos para antecipar a independência residencial desse público.

As escolhas, no entanto, seguem uma lógica distinta da observada em gerações anteriores : menos foco em metragem ampla e mais atenção à funcionalidade, à mobilidade urbana e ao custo total de morar.

Na avaliação do presidente da Abrainc, Luiz França, o comportamento do consumidor reforça a resiliência do setor.

A força da intenção de compra e a busca consistente por moradia própria demonstram um mercado com grande potencial de crescimento, com o jovem assumindo papel cada vez mais relevante
Luiz França - presidente da Abrainc

Morar ou investir

Apesar do aumento da profissionalização do aluguel e do interesse por imóveis como ativo financeiro , a compra para uso próprio continua predominante.

Nos últimos dois anos, entre 64% e 80% das aquisições tiveram como objetivo a moradia. O investimento, seja para locação, seja para revenda, manteve participação relevante, variando entre 20% e 36%, reforçando o papel dual do imóvel como residência e instrumento de proteção patrimonial.

As motivações revelam decisões ligadas a transições de vida. Não pagar mais aluguel lidera as razões para compra, citado por 33% dos entrevistados , seguido pelo desejo de morar em uma residência maior (21%) e sair da casa dos pais (11%).

Busca por mais benefícios, como lazer, segurança e localização, e por imóveis mais novos também aparecem com peso significativo.

Se a demanda está garantida, o formato da oferta passa por ajustes. Para 2026, especialistas apontam consolidação de tendências que já vêm se desenhando desde 2024.

Entre elas, o avanço da moradia tratada como serviço, com empreendimentos preparados tanto para venda quanto para operação de aluguel, e a valorização de plantas mais inteligentes, com ambientes flexíveis e menor desperdício de área.

Segundo o CEO da Incorporadora Netcorp Itália, Fabrizio Bevilacqua, o imóvel deixou de ser encarado apenas como sonho.

O comprador está mais informado, compara opções, entende preço por metro quadrado, custo de condomínio e potencial de valorização. A decisão passou a ser estratégica: faz sentido para o meu bolso e para o meu estilo de vida ao longo do tempo?
Fabrizio Bevilacqua - CEO da Incorporadora Netcorp Itália

Essa lógica favorece unidades compactas, bem localizadas e com áreas comuns que dialogam com a rotina real, como espaços de coworking, academias e áreas compartilhadas.

A boa localização, antes associada apenas a bairros nobres ou centrais, passa a ser definida pela proximidade de trabalho, transporte, serviços de saúde, educação e lazer.

Na Bahia, essas transformações são visíveis. De acordo com o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA), Cláudio Cunha:

A Geração Z já impacta diretamente o desenvolvimento dos produtos locais
Claudio Cunha - presidente da Ademi-BA

Salvador e a Região Metropolitana seguem como o principal polo imobiliário do estado, concentrando lançamentos e investimentos.

Ao mesmo tempo, cidades médias como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Ilhéus, Juazeiro, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães ganham relevância, impulsionadas por crescimento econômico, demográfico e melhor infraestrutura urbana.

Para 2026, o setor deve operar em um ambiente de maior atenção ao cenário macroeconômico, marcado por eleições, ajustes decorrentes da reforma tributária e possíveis mudanças nas regras do crédito habitacional.

Ainda assim, a expectativa é de competitividade maior, com incorporadoras apostando em diversificação de produtos, uso intensivo de dados, tecnologia e novos modelos de financiamento.

A combinação entre demanda jovem, mudanças urbanas, sustentabilidade e inovação nos posiciona para um ciclo de crescimento alinhado às transformações do consumidor
Claudio Cunha - presidente da Ademi-BA

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas