Busca interna do iBahia
HOME > IMOBILIÁRIO
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

IMOBILIÁRIO

Juros altos travam sonho da casa própria

Em 2024, o número de brasileiros vivendo de aluguel chegou a 46,5 milhões, um recorde histórico

Joana Lopes
Por Joana Lopes

Siga o A TARDE no Google

Google icon
Prédios residenciais do Minha Casa, Minha Vida
Prédios residenciais do Minha Casa, Minha Vida -

O sonho da casa própria tem ficado mais distante para muitos brasileiros. Em um cenário marcado pela elevação dos juros, encarecimento do crédito e alta nos preços dos imóveis, a alternativa encontrada por muitas famílias tem sido permanecer — ou retornar — ao aluguel.

O resultado desse movimento já aparece nas estatísticas: em 2024, o número de brasileiros vivendo de aluguel chegou a 46,5 milhões, o equivalente a 21,9% da população, segundo a PNAD Contínua, do IBGE, um recorde histórico.

Tudo sobre Imobiliário em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

A tendência reflete um descompasso entre o custo de aquisição de imóveis e a capacidade de pagamento das famílias. Nos primeiros meses de 2026, os preços de venda continuaram em alta, acumulando aumento de 0,52%, de acordo com o índice FipeZap.

Em algumas cidades, o valor do metro quadrado já ultrapassa com folga a média nacional, tornando o financiamento imobiliário ainda mais desafiador.

Além do encarecimento dos imóveis, o crédito também pesa no bolso. Com a taxa básica de juros elevada, os financiamentos imobiliários chegaram a girar em torno de 12% ao ano, o que aumenta significativamente o valor das parcelas e reduz o número de famílias aptas a assumir um contrato de longo prazo.

Nesse contexto, muitos potenciais compradores têm optado por adiar a aquisição do imóvel próprio e permanecer no aluguel.

Em Salvador, a realidade não é diferente. A capital baiana registrou uma valorização expressiva nos preços dos imóveis nos últimos anos. O custo médio do metro quadrado alcançou cerca de R$ 8,2 mil em fevereiro, após um acúmulo de 14% em 12 meses.

Dois anos antes, esse valor girava em torno de R$ 5,8 mil. A escalada contribui para ampliar o déficit habitacional, estimado em cerca de 100 mil unidades na cidade.

“O custo dos insumos da construção civil aumentou e, automaticamente, isso é repassado ao cliente final. A cidade tem um déficit habitacional elevado e a procura ainda é muito grande. Tudo o que é construído ainda não atende à demanda”, afirma Anderson Ferreira, diretor da A&F Pop Imobiliária.

Para quem vive essa realidade, o impacto é direto. A estudante de enfermagem Milena Fernandes, de 27 anos, conta que já tentou financiar um imóvel, mas não conseguiu arcar com os custos.

“As parcelas, as taxas de evolução da obra e o valor da entrada não cabem no orçamento de muitos soteropolitanos. No meu caso, somando tudo, dava mais de um salário mínimo”, relata. “Acabei tendo que voltar para o aluguel.”

Especialistas apontam que o problema não está apenas no preço dos imóveis, mas em um conjunto de fatores. O aumento do custo da construção civil, medido pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), aliado à valorização dos terrenos e da mão de obra, pressiona os preços para cima.

Ao mesmo tempo, a renda da população não acompanha esse ritmo, criando um desalinhamento que dificulta o acesso à moradia.

“Os preços dos imóveis não escalam de maneira isolada. Existe um conjunto de fatores socioeconômicos por trás disso, como inflação da construção, custo dos terrenos e da mão de obra. O grande problema é que a renda da população não acompanha esse aumento”, explica Anderson Ferreira.

Diante desse cenário, as recentes mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida surgem como uma tentativa de reequilibrar o mercado e ampliar o acesso à casa própria.

A reformulação aprovada pelo Conselho Curador do FGTS ampliou os limites de renda e os tetos de financiamento, permitindo que mais famílias se enquadrem nas regras do programa.

Novas faixas

As novas faixas passaram a contemplar rendas mensais de até R$ 13 mil, no caso da chamada faixa 4, voltada à classe média.

Além disso, o valor máximo dos imóveis financiados também foi elevado, chegando a R$ 600 mil nessa categoria. As demais faixas também tiveram ajustes, ampliando o alcance para famílias de menor renda.

Segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), as mudanças podem beneficiar cerca de 6,4 milhões de famílias em todo o país.

“As novas mudanças ajudam a destravar a demanda por imóveis em um momento de crédito mais restrito, trazendo mais previsibilidade para o setor e incentivando novos investimentos”, afirma Luiz França.

Para o mercado imobiliário, o programa tem funcionado como uma espécie de “amortecedor” diante das dificuldades impostas pelos juros elevados. Com taxas que podem variar de 4% a 10% ao ano, significativamente menores que as praticadas por bancos privados, o Minha Casa, Minha Vida se torna uma alternativa mais acessível para quem busca financiamento.

“Na faixa 3, houve redução de praticamente 2% na taxa de juros. Isso significa parcelas menores e maior capacidade de financiamento. O programa funcionou como um amortecedor socioeconômico”, afirma Anderson Ferreira.

Em Salvador, a ampliação do programa já começa a impactar o setor. De acordo com o especialista, a inclusão de famílias que antes estavam fora dos critérios deve trazer mais dinamismo ao mercado local.

“Até o ano passado, o programa não atendia o público de médio padrão, que é a maioria da população. Agora, essas famílias passam a ter acesso a imóveis de até R$ 600 mil, o que corresponde à maior parte dos lançamentos na cidade”, diz.

Outro ponto relevante é a flexibilização das condições de pagamento. Com exigência de entrada menor e parcelas mais compatíveis com a renda, o programa permite que famílias consigam planejar a compra do imóvel de forma mais realista. Em alguns casos, o valor da prestação pode até se aproximar — ou ficar abaixo — do aluguel.

“O principal desafio hoje não é apenas o preço dos imóveis, mas levar as informações ao público. Muitas famílias não sabem que podem morar em um condomínio com infraestrutura completa pagando uma parcela semelhante ao aluguel”, acrescenta Anderson.

Para quem segue no aluguel, como Milena, a expectativa é que o cenário se torne mais favorável nos próximos anos.

“Depois que eu me formar, pretendo tentar novamente, dessa vez pelo Minha Casa, Minha Vida. Ainda é um sonho que eu quero realizar”, afirma.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags:

Imoniliário Minha Casa Minha Vida.

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas