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HABITAÇÃO

Novas formas de morar: jovens impulsionam residências compartilhadas

Os chamados colivings atraem principalmente quem quer residir em regiões centrais e reduzir custos

Joana Lopes

Por Joana Lopes

17/01/2026 - 9:03 h
A francesa Amélie criou o Infini Coliving em Jauá, em 2023
A francesa Amélie criou o Infini Coliving em Jauá, em 2023 -

A forma de morar dos jovens brasileiros passa por uma transformação silenciosa, mas consistente. Embora o modelo tradicional de habitação ainda predomine no país, cresce o interesse por alternativas como moradia compartilhada e coliving — moradia compartilhada onde os residentes têm seus quartos privativos, mas compartilham áreas comuns como cozinha, sala de estar e espaços de lazer — especialmente entre integrantes das gerações Y e Z.

Dados de um levantamento do DataZAP, fonte de inteligência imobiliária do Grupo OLX, mostram que, entre os brasileiros que consideram viver em coliving, 60% são jovens que valorizam segurança, conveniência e proximidade do trabalho ou do local de estudo.

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A pesquisa indica que três em cada quatro brasileiros ainda não cogitam esse tipo de moradia, mas revela uma abertura maior entre jovens solteiros e sem filhos, para quem independência e qualidade de vida são fatores decisivos. Estar perto de escolas ou universidades é importante para 53% dos entrevistados, enquanto 93% afirmam priorizar bairros considerados seguros na escolha do imóvel.

Segundo Taiane Martins, gerente de inteligência de mercado do Grupo OLX, o coliving surge como uma resposta direta às demandas desse público. “Os dados reforçam que esse modelo de moradia se mostra uma alternativa interessante principalmente para os mais jovens, não só por atender à necessidade de residir em regiões mais centrais, que concentram oportunidades de emprego e estudo, mas também pela redução dos custos fixos de habitação, encaixando melhor no orçamento”, explica.

Entre os principais atrativos da moradia compartilhada, a segurança aparece em primeiro lugar, citada por 34% dos entrevistados. Na sequência, vêm a economia com imóveis mobiliados (29%) e a redução de despesas fixas, como contas de água, luz e internet (26%). Outros fatores relevantes incluem acesso a serviços integrados (25%), práticas sustentáveis (25%) e flexibilidade de contratos (23%), além da possibilidade de “testar” a região antes de assumir um compromisso de longo prazo (18%).

A experiência coletiva também pesa na decisão. Oportunidades de socialização são valorizadas por 17% dos entrevistados, enquanto 16% associam o coliving a um estilo de vida mais dinâmico.

Áreas compartilhadas de alto padrão (12%) e ambientes voltados ao trabalho remoto (11%) completam a lista de diferenciais. Para parte dos jovens, a conveniência pode ser mais importante do que o tamanho do imóvel: 8% afirmam que pagariam mais por um espaço menor, desde que ofereça serviços completos, e 40% considerariam esse tipo de residência dependendo da qualidade das amenidades e do custo.

Solteiros e sem filhos

O perfil dos interessados reflete uma busca crescente por liberdade e mobilidade. De acordo com o levantamento, 57% não são casados, 46% não têm filhos e 92% trabalham. São jovens profissionais que priorizam flexibilidade, praticidade e otimização do tempo, muitas vezes em um contexto de trabalho híbrido ou remoto.

Essa tendência já se materializa em iniciativas fora dos grandes centros. Em Alagoinhas, no interior da Bahia, o Urbano Coliving e Coworking nasceu da adaptação de um antigo projeto hoteleiro. O engenheiro Bruno Peixoto, proprietário do empreendimento, conta que o prédio foi inicialmente pensado como um hotel corporativo, mas acabou ficando vazio após a crise econômica de 2014. “Vi que havia uma demanda por apartamentos mobiliados para pessoas que vinham a Alagoinhas a trabalho por alguns meses”, relata.

O espaço conta hoje com 27 apartamentos e atende principalmente profissionais que se mudam temporariamente para a cidade, como gerentes de banco e trabalhadores da área da saúde.

Os contratos são flexíveis, variando de um a seis meses, e o valor mensal inclui contas e serviços básicos. “A unidade se assemelha a um quarto de hotel, com banheiro. O compartilhamento acontece nas áreas de socialização e nas duas cozinhas”, explica Peixoto. Segundo ele, a convivência cotidiana favorece a criação de laços. “O legal é a possibilidade de tomar um café da manhã com alguém que você nunca viu e acabar virando amigo. O coliving é a possibilidade de criar relações em uma cidade nova”, relata

Na Região Metropolitana de Salvador, o Infini Coliving, localizado à beira-mar em Jauá, atrai um público ainda mais conectado ao estilo de vida nômade. Criado em 2023 pela francesa Amélie Tavernier, o espaço recebe majoritariamente jovens entre 20 e 25 anos que trabalham online. “O Brasil não tem muito coliving, então decidi criar um na Bahia, estado pelo qual me apaixonei”, conta.

Com sete quartos, áreas de convivência amplas e estrutura voltada para quem depende de internet de qualidade, o Infini mistura moradia, lazer e contato com a natureza. “Recebemos muita gente que quer ter um lugar fixo na Bahia enquanto viaja por outros destinos do estado e do país”, afirma Amélie, destacando que metade dos moradores é estrangeira.

Para quem considera aderir a esse modelo, especialistas recomendam atenção a alguns critérios. Débora Beyer, sócia da Beyer Imóveis, ressalta a importância de avaliar localização, infraestrutura, flexibilidade do espaço e proposta de convivência. “Espaços que incluem serviços como limpeza, manutenção e áreas compartilhadas bem equipadas podem representar uma economia significativa a longo prazo”, afirma. Segurança, política de visitas e nível de privacidade também devem entrar na conta, assim como uma visita prévia ao local antes da assinatura do contrato.

Mais do que uma solução habitacional, o coliving se consolida como uma experiência alinhada a novos valores: mobilidade, compartilhamento e qualidade de vida. Para uma geração menos presa aos padrões tradicionais, morar deixou de ser apenas ocupar um espaço, passou a significar viver conexões.

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Tags:

coliving economia moradia Segurança

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