“A Bahia hoje é uma das nossas três maiores operações do país", diz CEO da Tenda

Publicado segunda-feira, 12 de outubro de 2020 às 06:00 h | Atualizado em 11/10/2020, 19:21 | Autor: Osvaldo Lyra

O mercado imobiliário vive um boom no país, nunca antes imaginado para um período de pandemia, como o que vivemos hoje. De acordo com Rodrigo Osmo, CEO da Tenda, “o segundo trimestre de 2020 foi recorde de vendas da história da companhia”. Para ele, a Bahia hoje é uma das três maiores operações do país. E o detalhe: “as vendas on-line foram e vão ser o principal canal de vendas de imóveis populares daqui para frente”. Questionado sobre a paralisação das obras e o impacto da pandemia sobre a Tenda, Osmo disse que houve paralisação de parte da empresa e que “todas as obras foram retomadas e hoje operam com 100% de sua capacidade”, Confira:

Que impacto a pandemia teve sobre o setor produtivo e sobre o mercado imobiliário do país?

Olha, nós atuamos no segmento de habitação popular, dentro do programa Casa Verde e Amarela. O impacto dentro do nosso segmento foi muito menor do que originalmente a gente imaginava. No final de março, quando as pessoas estavam se preparando para ir para a quarentena, a empresa Tenda fez um plano assumindo que as vendas cairiam até 80% num contexto de total incerteza. Não só as vendas não caíram durante esse período, como o segundo trimestre de 2020 foi recorde de vendas da história da Tenda. Então, para a minha sorte, a minha avaliação de contexto estava bastante errada. Foi uma surpresa muito positiva.

Inclusive, vocês tiveram recorde de venda em uma operação 100% online, o que mostra uma tendência muito forte do mercado. Estamos no início de uma nova fase do processo de comercialização?

Eu acredito que sim. Eu acredito que a venda online, que tinha uma representatividade muito pequena para as incorporadoras pré-pandemia, virou uma realidade e possivelmente vai ser o principal canal de vendas de imóveis populares daqui para frente.

A Tenda atua com vários nichos de mercado. Isso mostra que os públicos, de modo geral, estão aproveitando o momento de estar mais em casa, nessa pandemia, para colocar em prática o projeto da casa própria, de uma segunda residência. Que avaliação o senhor faz dessa movimentação do mercado?

Eu acredito que a pandemia trouxe uma mensagem subliminar de que casa é segurança. E isso teve um efeito psicológico muito grande nas pessoas, de buscarem casa como uma forma de resolver uma situação de desconforto patrimonial e desconforto efetivo. Num contexto de home office, você ter o seu cantinho é muito mais confortável do que você estar coexistindo com os outros familiares em uma dinâmica talvez mais complexa. Então eu acredito que sim, as pessoas se ativaram nesse momento para a compra de um imóvel.

Qual foi o maior motivador dessa necessidade de ter um ambiente próprio no pós-pandemia?

Olha, o que é que a gente acredita que aconteceu: foi uma série de fatores mercadológicos e estruturais da nossa empresa. Do ponto de vista mais macro, primeiro, as pessoas tiveram essa associação da pandemia, de que casa é segurança, e isso foi muito importante. Além disso, o ato da compra de um imóvel que, para o nosso público, é o bem mais importante que ele vai comprar na vida e, portanto, no pré-pandemia era inconcebível que isso fosse feito através de um ambiente online, era quase um desrespeito à dimensão do passo que estaria sendo tomado com a compra de um imóvel. E, durante a pandemia, todas as formas de comércio eletrônico, inclusive a compra de imóveis, foram legitimadas. No nosso caso específico de segmento de habitação popular, uma coisa que a gente notou é que o nosso cliente sofria um certo constrangimento, ou pelo menos parte dos nossos clientes, pelo processo tradicional de venda. Porque o ato de você ir numa loja, ter que abrir toda a sua condição financeira para um vendedor, eventualmente ter o seu crédito negado, ou seja, um símbolo de fracasso na frente de várias outras pessoas, num processo complexo, cuja documentação você não sabe direito como lidar, quais informações precisaria fornecer para preenchimento dos cadastros, ou seja, era um processo bastante desconfortável para o nosso cliente. E o ambiente online permite um processo muito mais confortável, porque o seu primeiro contato humano com um vendedor é depois do seu crédito já ter sido aprovado. Então você já entra no processo como vencedor e não com medo da derrota. Isso foi bastante importante para mudar a psicologia do nosso cliente durante a pandemia.

A gente tem aí a pandemia em várias fases, em várias etapas e o impacto direto sobre o setor produtivo como um todo. Obras chegaram a ser paralisadas, projetos tiveram que ser adiados ou modificados. Como isso aconteceu dentro da Tenda?

No ápice das paralisações, nós tivermos 15% das nossas obras paradas, quase que a totalidade delas em função de decretos municipais ou estaduais. Mas todas as obras foram retomadas e hoje a empresa opera com 100% de sua capacidade.

Como o senhor vê esse processo de retomada do setor produtivo, após o retorno do convívio social?

No nosso caso específico, a gente não teve um problema de retomada, porque a gente operou a 85% da capacidade durante um período de dois meses. Então essa retomada já aconteceu. Mas para a população como um todo, isso é fundamental. Alguma solução para esse balanço entre o sistema de saúde e o sistema de economia vai precisar ser encontrado. O mecanismo atual, que é o que popularmente está se chamando de “coronavoucher” tem um custo de R$40 bilhões por mês. O benefício obviamente é insustentável como forma de manutenção do tecido social atual. Então eu torço muito para que uma vacina seja encontrada em um espaço curto de tempo, porque senão, as consequências de longo prazo dessa pandemia pela parada do setor produtivo podem ser bastante significativas.

E para mais de 50 milhões de brasileiros, o benefício de R$600 foi a única forma de conseguir recurso minimamente para se manter ao longo da pandemia. Preocupa essa fase que vamos iniciar agora, sem o benefício, sem essa forma de transferência de renda?

Sim, preocupa muito. Quando você olha os indicadores, por exemplo, de desemprego, o desemprego na superfície parece que não foi afetado durante esse período. A gente saiu de 12-13% de desemprego para 13-14%. À primeira vista, parece um número bastante controlado de desemprego pela dimensão da crise, mas esse número esconde a quantidade de pessoas que saíram do mercado de trabalho amparadas pelo pelo auxílio de R$600. Caso esses R$600 tenham um fim, esse contingente, que são 10 milhões de pessoas, voltariam para o mercado de trabalho e aí sim ficaria muito claro a criticidade da questão social. Então ele foi muito importante e é importante que se ache uma solução para ele.

Qual a relação que a Tenda mantém com a Bahia e com os baianos? A informação que nós temos é que a Tenda está, inclusive, em forte expansão aqui no estado...

A Bahia hoje é uma das nossas três maiores operações do país. Na verdade, a região metropolitana de Salvador tem crescido em uma velocidade bastante significativa nos últimos anos. É um mercado que nós atuamos há provavelmente 20 anos e somos líderes no mercado da região. Então claramente é um mercado estratégico para a Tenda.

É possível a gente falar em valores? Investimentos beiram a casa de meio bilhão de reais, é essa a estimativa que a gente pode ter de investimento aqui no próximo período?

Olha, eu não tenho exatamente o número, mas eu acredito que nos últimos 12 meses a Tenda deva ter lançado próximo de meio bilhão de reais na região metropolitana de Salvador e, se tudo der certo, esse número tem uma tendência de crescimento. Então é importantíssimo esse mercado para nós.

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