CADERNO IMOBILIÁRIO
Inspirado em Belo Horizonte, Pituba é o bairro mais procurado de Salvador
Por Gilson Jorge

Bairro mais procurado em Salvador por quem quer comprar ou alugar imóveis de classe média, a Pituba é ironicamente um dos que menos se parecem com a velha cidade, cheia de becos e ladeiras.
“A Pituba é de longe o bairro de Salvador mais procurado por quem quer um imóvel, para comprar ou alugar”, atesta Cristiane Crisci, gerente de inteligência de mercado do Grupo Zap Viva Real, que divulgou esta semana sua pesquisa mensal sobre o mercado imobiliário em 15 cidades brasileiras.
E não é à toa que o local mais procurado de Salvador “renegue” suas origens. Um dos donos da fazenda onde floresceu a Pituba era um mineiro que resolveu copiar o padrão urbanístico da capital de seu estado. E, para completar, o novo bairro surgiria com moradores que vieram com outros sotaques.
Enquanto os bairros da Barra, Vitória, Graça e Ondina são tradicionalmente ocupados por famílias soteropolitanas de várias gerações, a Pituba começou a ser efetivamente um destino imobiliário durante a década de 1970, quando dezenas de profissionais qualificados de outros estados e países vieram para a Bahia trabalhar no Polo Petroquímico de Camaçari, inaugurado em 1978.
A velha Fazenda Pituba, que havia sido adquirida no início do século passado pelo baiano Manoel Dias da Silva e pelo seu cunhado mineiro, Joventino Pereira da Silva, tinha sido cortada em dez vias longitudinais paralelas à orla e outras 15 transversais.
Um loteamento planejado em 1919, a partir da experiência de Belo Horizonte, a primeira capital planejada do Brasil. Inicialmente a Pituba funcionou como um local de segundas residências, como são hoje Guarajuba, Jauá e outras praias do litoral norte e também a Ilha de Itaparica.
Mas o antigo local de veraneio, com enormes casas da elite baiana, passou a se desenvolver rapidamente a partir da década de 1980, com a instalação de restaurantes e bares, instalados para servir os moradores forasteiros do polo, que nos dias de folga não tinham a opção de comer o tempero da mamãe.
Depois vieram os centros comerciais, lojas de rua, agências bancárias e toda uma gama de serviços bancários que transformaram o bairro em campeão de preferência entre a classe média. O nome do sócio baiano da antiga fazenda batizou uma das três maiores avenidas do bairro (junto com a ACM e Paulo VI), a Manoel Dias da Silva. E o mineiro Joventino Silva deu nome ao Parque da Cidade, na Av. ACM.
“A maior parte das pessoas que têm algum dinheiro deseja morar na Pituba”, afirma o presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon), Carlos Henrique Passos. A sede do sindicato e a residência de Passos, aliás, estão no bairro. Ele destaca que, em termos de mercado imobiliário, a Pituba não é mais uma área quase virgem, como Pituaçu e Patamares. “É um mercado de substituição de casas por prédios”, declara.
Classe média
Para o executivo, a localização do bairro e a facilidade de locomoção em transporte público são umas das vantagens do bairro em relação a outras localidades de classe média.
Diagnóstico semelhante é feito pelo corretor de imóveis Noel Silva, diretor do Creci, que destaca a malha viária do bairro e as possibilidades de locomoção rápida para diferentes áreas da cidade.
“Outra vantagem da Pituba é a proximidade com o mar. Embora não seja uma praia de primeira linha, é sempre bom ter a brisa por perto”, diz.
O corretor de imóveis também sublinha a quantidade de shopping centers no bairro e em regiões vizinhas: Shopping da Bahia, Salvador Shopping, Shopping Itaigara, Paseo e Tricenter, além de pequenos centros comerciais. “Apesar de não estarem todos na Pituba, são shoppings que estão muito próximos dos moradores.
Silva considera ainda que, sendo um destino prioritário para a classe média, a Pituba oferece alternativas para diferentes faixas de renda. Do Parque Júlio César à Lagoa Vela Branca.
“É possível comprar um apartamento de quarto e sala por R$ 150 mil. Por outro lado, pode-se encontrar no mesmo bairro um apartamento que custe R$ 1,5 milhão, afirma o corretor de imóveis.
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