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Leilões têm imóveis com valores até 70% abaixo do preço do mercado

Negócio Santander, Bradesco e BB dispõem de 1.152 unidades em todo o país com lances a partir de R$ 12 mil

Joana Oliveira
Por Joana Oliveira
Bancos têm imóveis em leilões em diferentes estados, inclusive na Bahia
Bancos têm imóveis em leilões em diferentes estados, inclusive na Bahia - Foto: Xando Pereira/Ag. A TARDE

Desde dezembro de 2023, o funcionário público Pedro Henrique Miranda, de Alagoinhas, comprou sete imóveis em leilões. “Vi neles uma oportunidade de investimento. Como trabalham com preços muito abaixo do mercado tradicional, é possível revender com facilidade, obtendo um lucro relativamente rápido”, conta. De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, é possível arrematar nesses leilões casas e apartamentos com valores entre 40% e 70% abaixo do preço do mercado tradicional. É possível dar lances a partir de R$ 46 mil, como no caso do leilão do Santander, que acontece no dia 16 de julho, com 140 imóveis espalhados pelo país, inclusive na Bahia. O Banco do Brasil também oferece 723 oportunidades em todo o Brasil, com lances a partir de R$ 12 mil, num leilão que acontecerá em 15 de julho. O Bradesco é outro banco que disponibiliza 289 casas e apartamentos, com lances iniciais de R$ 20 mil.

“Tanto para quem quer comprar casa própria quanto para quem busca investimento, o benefício é inegável. Muitas vezes, quem tinha o dinheiro para uma moradia simples, consegue comprar uma melhor”, comenta Pedro Gomide, investidor e sócio fundador da Smart Leilões.

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Além da facilidade de encontrar unidades de todos os tipos, valores e localizações em um só lugar, atendendo a vários perfis e necessidades dos compradores, as plataformas de leilões ajudam o comprador a ganhar tempo, como explica Rafaela Yamashita, diretora de Marketing e Operações na Zuk. “Não é necessário se envolver em longas negociações com o proprietário do imóvel ou corretor para chegar num preço considerado justo, a negociação que é aberta a todos tem data e hora para acabar. Nos leilões tudo é feito de forma ágil, clara e com os participantes sendo informados de todos os passos da tramitação”, diz ela.

A especialista ressalta, no entanto, que é importante conferir a credibilidade da empresa e do leiloeiro em questão, verificando o cadastro nas juntas comerciais, o tempo de existência daquele CNPJ, bem como os canais oficiais de atendimento, site e redes sociais para verificar a veracidade da operação. Depois, Yamashita recomenda ler atentamente o edital e todas as informações sobre o imóvel e sua comercialização, como lote, valores, formas de pagamento, status de ocupação e responsabilidade de pagamento dos débitos. “Se possível solicite a visitação da unidade em e, caso ela esteja ocupada, verifique pelo menos a região e o entorno, para ter ciência da real situação”, ela orienta.

Pedro Gomide explica que é fundamental analisar a própria viabilidade financeira e colocar as contas na ponta do lápis antes de dar um lance. Além do valor do imóvel, é deve-se considerar os 5% de comissão do leiloeiro, prevista por lei, entre outros gastos como ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis), cartórios e possíveis débitos. “Muitas vezes, anunciam imóveis de R$ 200 mil por R$ 100 mil, mas você não pode assumir esse valor como verdade total. É preciso checar se ele corresponde à realidade, procurando na internet por imóveis similares e conversando com corretores da região para ver uma amostragem de imóveis e valores naquele determinado bairro”, recomenda o especialista.

E, como lembra o investidor Pedro Henrique Miranda, “não é só pagar, pegar a chave e entrar” na casa ou apartamento. No caso dos leilões judiciais, há ainda o processo de desocupação do imóvel. “Em 90% dos casos, isso ocorre de forma amigável, você dá um prazo de 30 a 60 dias para que os ocupantes deixem o local. Nos outros 10%, a Justiça emite uma notificação de posse, intimando a saída das pessoas. Em, no máximo, três meses, o comprador pode entrar no imóvel”, explica ele.

Juros em queda

No final de junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros do país, a taxa Selic, em 10,50% ao ano, valor que deve se manter até o final de 2024. Essa estabilização beneficia o mercado imobiliário como um todo, uma vez que a Selic é usada como referência para os bancos definirem as taxas de juros das parcelas. Por exemplo, quando a Selic sobe, consequentemente, as parcelas do financiamento aumentam e impacta diretamente no bolso das pessoas. “Estima-se que a cada 2% de queda na taxa, há uma queda de 0,5% no financiamento de imóveis, por exemplo”, explica Pedro Gomide.

O especialista destaca que os leilões tendem a ficar ainda mais atrativos com a manutenção dos juros. “Nesse cenário, o cidadão comum tende a se manter inerte nas aplicações de renda fixa, diminuindo o interesse pelos imóveis em geral e também a disputa pelos leilões. Por isso, para quem quer comprar imóvel, a hora é agora. Comece a fazer seus arremates, porque em breve você poderá revender com bastante liquidez e lucratividade.”

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