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Materiais recicláveis ganham destaque em projetos acústicos

Maior consciência ambiental tem elevado a demanda por soluções arquitetônicas mais sustentáveis

Publicado sábado, 19 de agosto de 2023 às 06:04 h | Autor: Dianderson Pereira*
A Trisoft fez a acústica do restaurante Manga com lã extraída de garrafa PET
A Trisoft fez a acústica do restaurante Manga com lã extraída de garrafa PET -

Os projetos de acústica são uma das principais apostas atualmente da arquitetura e atendem às pessoas que querem tornar seus ambientes mais confortáveis e livres de ruídos indesejáveis. Atualmente, empresas que trabalham de forma sustentável estão ganhando destaque, utilizando materiais recicláveis em suas produções. 

A empresa Trisoft, que atua no ramo têxtil desde sua fundação em 1961, trabalha com a lã extraída de garrafa PET reciclada como seu principal material para soluções acústicas arquitetônicas. O CEO, Mauricio Cohab, diz que a empresa já conseguiu consumir o equivalente a 5,1 bilhões de garrafas pet em seus projetos, evitando que esses materiais causem danos ambientais.

“As garrafas pet duram centenas de anos e quando há o aproveitamento da fibra, que é uma micro garrafa pet, o seu formato é mudado, mas o elemento é o mesmo. Então é um material extremamente durável, flexível e resistente para o uso nas construções, e além de ser um produto acústico, é também decorativo”, comenta Mauricio Cohab. 

Ricardo Matos, arquiteto e proprietário da empresa Acarton Acústico, fala que vem aumentando a busca e a conscientização das pessoas por soluções acústicas sustentáveis e sua empresa atende a essa demanda. "Nos últimos anos, houve um aumento significativo na procura por projetos acústicos mais sustentáveis. À medida que a conscientização sobre questões ambientais e de saúde cresce, as pessoas estão mais interessadas em adotar práticas construtivas que sejam ecologicamente corretas e que também proporcionem conforto acústico” 

Qualidade de vida

O arquiteto John Damasceno sinaliza que a maior conscientização sobre questões ambientais tem levado essas empresas a oferecerem soluções de acústica arquitetônica mais sustentáveis. “Definitivamente há um aumento na procura por projetos mais sustentáveis. A conscientização sobre questões ambientais e a busca por eficiência energética, têm levado muitas empresas a priorizarem a sustentabilidade em seus planos”.

Débora Barretto, arquiteta projetista e consultora de acústica da Audium fala que, há 30 anos, os projetos de isolamento térmico eram muito solicitados para teatros, cinemas e casas de shows, mas atualmente, há uma ampliação na busca por outros espaços.  “Hoje, a acústica está muito presente em ambientes como escritórios, clínicas, consultórios, hospitais, escolas e restaurantes. Eu diria que isso abrange mais de 50% a 60% dos tipos de projetos que a gente desenvolve hoje na Audium. Se pegar a quantidade em teatros, estúdios que a gente faz, chega a 5%”.

Entre as principais vantagens de projetos acústicos sustentáveis, arquitetos citam o conforto e maior qualidade de vida. Débora ressalta que é importante proporcionar às pessoas um conforto e promover bem-estar para que elas possam interagir de forma melhor e se conectar mais. 

“O conforto acústico quer dizer que estamos nos preocupando com o ser humano, com a saúde. Proporcionar ambientes onde as pessoas tenham uma melhor qualidade de vida. É importante entender que conforto acústico não é chique, não é sofisticado, não é supérfluo. Se trata de qualidade de vida. De se preocupar com a saúde. A essência da arquitetura perpassa pelo conforto acústico”, enfatiza Débora Barretto.

Ricardo Mattos acrescenta que evitar o ruído em excesso pode reduzir problemas de saúde e melhorar a qualidade de vida. “Esses projetos ajudam a evitar os efeitos negativos do ruído excessivo, como estresse, distúrbios do sono e problemas de saúde e promovem uma base ecológica às pessoas que buscam viver em ambientes mais sustentáveis”.

Mas para que esses projetos ocorram, Débora Barreto sinaliza a importância da cadeia de produção e das escolhas dos materiais. “As construtoras precisam estar bem atentas a essas questões no momento da compra dos produtos”.

“Um ambiente sustentável não é aquele que tem os materiais e os elementos sustentáveis, mas aquele ambiente saudável, porque nós como seres humanos vamos ser mais sustentáveis. É um olhar muito mais amplo diante da palavra sustentabilidade”, finaliza Débora Barreto. 

*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló

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