Um em cada três moradores do NE tem intenção de mudar de casa

Principais motivos estão relacionados a projetos pessoais (26%) ou insatisfação com o bairro onde vive (20%)

Publicado sábado, 26 de março de 2022 às 06:03 h | Atualizado em 25/03/2022, 21:47 | Autor: Fábio Bittencourt
73% dos nordestinos têm imóveis próprios
73% dos nordestinos têm imóveis próprios -

Um em cada três moradores (32%) da região Nordeste tem a intenção de mudar de casa nos próximos dois anos. Os principais motivos são relacionados a projetos pessoais (26%), má localização ou insatisfação com   o bairro onde vive (20%), a busca por um novo imóvel (19%), ou por mudança de cidade (11%).  

Os dados fazem parte da primeira edição do Censo QuintoAndar de Moradia, pesquisa de âmbito nacional realizada em parceria com o Instituto Datafolha, que revela ainda que o nordestino é o que mais tempo passa dentro de casa, e também o que mais gosta de cozinhar. A casa própria é a maior prioridade dos habitantes da região, com nota 9,8, em uma escala de 0 a 10 de importância.  

Realizado com 3.186 entrevistados com 21 anos ou mais, das cinco regiões do país (Sudeste, Sul, Norte, Nordeste e Centro-Oeste), o levantamento, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, tem o objetivo de municiar o mercado com informações menos técnicas e mais relacionadas com hábitos e anseios dos brasileiros quanto à moradia, dois anos após o início da pandemia.  

“Muita coisa mudou com a pandemia, e com isso o desejo por novas moradias. A ideia é oferecer serviços e produtos melhores, propiciar uma nova experiência ao cliente na jornada pela busca do imóvel, de forma simplificada, desburocratizada”, conta o gerente de Dados da imobiliária digital, Thiago Reis.    

O estudo foi realizado entre 11 e 21 de outubro de 2021. No Nordeste foram ouvidos 540 consumidores.  Reis explica que a plataforma passa por um momento de expansão no país, chegando a cada vez mais cidades, adquirindo novas empresas e ampliando o estoque de ofertas. No início do ano, a marca que iniciou apenas com transações de  aluguel, e hoje já conta com venda, crédito habitacional, foi reposicionada    

“A mudança de marca teve como proposta abrir as portas para as pessoas morarem melhor. E daí surgiu a ideia de conhecer os anseios, os desejos de todas as classes (sociais), entender como elas veem a moradia, que ganhou novas funções. Por exemplo, tem gente que passou a trabalhar o quarto, fazer musculação na sala”, diz.  

Reis destaca ainda outros resultados da pesquisa, como o fato de 73% dos nordestinos serem donos do próprio imóvel; 67% estão quitados, e 6% ainda financiados; 92% da população reside em casa (maior percentual do país), sendo 84% em “rua pública”, 8% em condomínios fechado. Já apartamentos são morada de apenas 8% (o menor índice entre todas as regiões analisadas).  

Ainda com relação à lista de prioridades / desejo da população estão (na escala de zero a dez), ter uma profissão (9,7); estabilidade financeira (9,5); constituir família (9,4); montar um negócio próprio (9,3); aderir a um plano de saúde (9,2); comprar um carro (8,4); ter filhos (7,8); e casar (6,8). O tempo médio de permanência de uma família em um imóvel na região Nordeste é de 21 anos.  

“A pandemia tem um impacto grande no resultado da pesquisa, e serve como um instrumento importante, fidedigno para todo o ecossistema imobiliário, inclusive para o consumidor. A pesquisa, por exemplo, e para quem acha que o jovem hoje é mais desprendido, mostra a importância que a casa tem para os com 21 até 24 anos, assim como para os mais velhos. Independe da idade”, diz.    

Ele destaca ainda novos movimentos do setor. “Com o arrefecimento da pandemia já tem mais gente voltando para o centro (urbano, procurando por estúdios, locais menores”.  

Itana pontua “enxurrada” de pedidos de projetos
Itana pontua “enxurrada” de pedidos de projetos |  Foto: Geovane Souza | Divulgação
 

Dentro de casa

Especialista em projetos residenciais com foco em casas de condomínio de veraneio e em condomínio, a arquiteta Itana Lemos, com escritórios em Salvador e Santo Antônio de Jesus, fala em uma “enxurrada” de pedidos com orçamento nos últimos dois anos. Gente com poder aquisitivo maior, mas também a “população geral”, conta.  

“Com o isolamento social e sem poder viajar, as pessoas se voltaram mais para dentro de casa, para dentro de si. Todos pensando no próprio bem-estar, buscando descobrir sua essência, ter aquela sensação de pertencimento. Gente que não perdeu renda, como donos de negócios, também profissionais liberais”.  

Com dez anos de mercado e mais de 300 projetos no portfólio, Itana diz que, dentre as principais demandas do cliente nesse período estão a criação de um espaço para home office, e mais contato com a natureza. Soluções como criação de horta em apartamento, e uso de texturas naturais ganharam terreno.  

“Nossa mente associa muito o que vê. Até uma planta artificial tem poder de influenciar o estilo de vida que levamos”, fala.  

O aumento da ansiedade por parte dos clientes, com prazos, entregas e mais pedidos também aumentou. “Ficou bastante evidente essa maior atenção com a casa, os espaços, ambientes”, conta Itana, que é especialista em psicoarquitetura.  

Morador da capital, em home office entre 2020 e 2021, o administrador de empresas Fábio Passos, 47, não pensou duas vezes ao investir na compra de um terreno de mil metros quadrados na cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina. Lá, contratou um escritório de arquitetura, e a casa, com dois quartos, acaba de ficar pronta.  

Há cerca de 15 dias, Passos esteve no local. “Passei um final de semana limpando o quintal, cortando mato, tirando erva daninha, maior trabalheira, mas era o que eu queria, fincar os pés no chão, viver o meu próprio isolamento”, conta.  

De volta ao trabalho presencial, ele fala que a alta dos preços dos combustíveis atrapalhou um pouco os planos de viver no “bate-volta”, mas que não se arrepende do movimento que fez. “Investi R$ 350 mil, se eu achar quem pague R$ 500 mil vendo, e construo outra”.  

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