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Baiano integra equipe que classificou espécies ameaçadas de extinção no planeta

Gilson Jorge

Por Gilson Jorge

13/07/2020 - 6:00 h

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Daniel começou a participar dos estudos globais ainda durante a graduação | Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE
Daniel começou a participar dos estudos globais ainda durante a graduação | Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE -

Imagine se todos os casais de humanos, permanentes ou casuais, passassem o resto de da vida sem casa, sem motéis, sem poder transar em público e fossem sumariamente enxotados quando se abrigassem em um beco escuro. O destino seria a extinção.

Pois a falta de um aconchego está acontecendo, de fato, na natureza e ameaçando a existência de pelo menos 4.209 espécies animais. Como alguns tipos de vaga-lume, que precisam dos manguezais para completar o seu ciclo de vida.

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“A falta de habitats é a maior ameaça à vida de algumas espécies, mais do que o aquecimento global”, afirma Ricardo Dobrovolski, professor do Instituto de Biologia da Ufba. A maior universidade baiana integra um seleto grupo de pesquisa global que avalia 513 ecorregiões terrestres.

No mês passado, o artigo Perda de habitat, previsibilidade da extinção e esforços de conservação das ecorregiões terrestres, assinado por Dobrovolski e pelo mestrando baiano Daniel Gonçalves, além do professor holandês Peter Verburg, foi publicado na prestigiosa revista científica Biological Conservation.

Daniel, 24 anos, morador da Federação, começou a participar dos estudos globais ainda durante a graduação, quando o professor Ricardo lhe falou sobre a ideia de pesquisar os riscos de extinção de mamíferos na América do Sul, em função do desmatamento.

“A partir daí, trabalhamos em conjunto, a pesquisa foi se desenvolvendo e conseguimos incluir uma perspectiva mais ampla do problema, trabalhando em uma escala global e incluindo mais grupos de espécies”, lembra Daniel.

Estudos expandidos

O estudo foi feito a partir de base de dados sobre a distribuição das espécies, mudanças de uso do solo em todo o planeta e a distribuição das áreas ambientalmente protegidas, com fundamentação nas teorias ecológicas.

A principal delas é a teoria de espécies endêmicas por área [que ocorrem exclusivamente em uma determinada região geográfica]. “Embora essa abordagem já tenha sido feita em escala global, isso acontecia em áreas predefinidas como importantes, em função das espécies e da destruição de habitat. Agora, nós expandimos os estudos”, explica Dobrovolski.

Uma das consequências da pesquisa feita pelos estudiosos baianos é o aumento da quantidade de ecorregiões classificadas como hotspots, termo utilizado pela ONG ambientalista Conservation International, que define as áreas prioritárias para conservação ambiental por apresentarem grande biodiversidade e ao mesmo tempo um alto risco de degradação.

No Brasil, há duas regiões classificadas como hotspots: o cerrado e a mata atlântica, ecossistema de todo o litoral brasileiro.

A equipe usou um modelo de pesquisa que definiu em 2.073 o número de espécies endêmicas ameaçadas de extinção neste momento e que projeta para daqui a 20 anos, em 2040, uma ameaça a mais do que o dobro de espécies, 4.209, com base no padrão de expansão das atividades humanas.

O estudo aponta que, em números absolutos, os anfíbios são os que estão mais ameaçados com a perda de habitat. “Porém, relativamente, os répteis são os que podem sofrer mais perdas, considerando o conhecimento ainda limitado que temos sobre a distribuição desses animais”, afirma Daniel.

A solução para prevenir que essas extinções ocorram, de fato, está na desaceleração do desmatamento e restauração ambiental. Isso perpassa pelo fortalecimento e expansão das áreas protegidas, melhoria da produtividade agrícola sem expansão das terras cultiváveis, e até mesmo a mudança do padrão de consumo em relação a produtos de origem agrícola e pecuária. Frear a perda de biodiversidade é um tema amplamente discutido mundialmente e está entre um dos principais desafios para a humanidade nos próximos anos.

“A formação acadêmica de Daniel se deu com base nesse projeto de investigação que ele começou ainda como bolsista de iniciação científica”, aponta Dobrovolski.

Para trabalhar no projeto, Daniel recebeu bolsas tanto no plano estadual (Fapesb) como federal (CNPq). Agora, como mestrando, recebe bolsa do Capes. “Isso nos faz chamar a atenção em relação a todo o sucateamento que está havendo em relação à ciência desde o golpe em 2016 e se aprofundando no governo atual”, diz Dobrovolski.

Daniel decidiu cursar biologia porque se interessava em saber como as coisas funcionam e por quê. “Somado a isso sempre achei seres vivos fascinantes. Então uni as duas coisas para buscar entender melhor como a vida funciona”, declara.

O interesse em ecologia, especificamente, veio na graduação. “No momento, estou concluindo a minha dissertação e fazendo algumas colaborações com outros pesquisadores. Espero poder fazer mais para a questão da conservação”, completa.

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