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Coletivo Gastrocultura promove ações gratuitas com duração de sete meses

Publicado segunda-feira, 08 de fevereiro de 2021 às 08:00 h | Atualizado em 07/02/2021, 13:28 | Autor: Maria Clara Andrade*
O produtor Ugo Mello, Isabella Moreira, da Cozinha Quioiô, e Cecília Silva, do Brisa Pães Artesanais, levam projeto para o Café-Teatro Nilda Spencer | Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE
O produtor Ugo Mello, Isabella Moreira, da Cozinha Quioiô, e Cecília Silva, do Brisa Pães Artesanais, levam projeto para o Café-Teatro Nilda Spencer | Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE -
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Overbo comer relaciona-se, quase sempre, ao ato de digerir alimentos em busca de nutrientes e energia. Para o ser humano, comer ultrapassou a questão da subsistência, ocupando boa parte do tempo de suas relações sociais. A forma de comer, de produzir e preparar o alimento está diretamente ligada à cultura em que cada indivíduo está inserido.

Para Isabella Moreira, 30, a cozinha é capaz de transmitir um outro nutriente tão vital para a vida humana, o afeto. Ela é formada em gastronomia pela Universidade Federal da Bahia e dona da Cozinha Quioiô, em que vende kits de congelados, com “comida de verdade”, saídos da própria cozinha de sua casa. Isabella se orgulha de utilizar produtos vindos da agricultura familiar e da economia local.

Em busca de uma gastronomia “mais limpa, boa e justa”, Isabella faz parte do Coletivo Gastrocultura, nascido no final de 2019, impulsionado pelo edital de ocupação de dinamização de espaços culturais da Fundação Gregório de Mattos (FGM). Em uma das categorias propostas pelo edital estava a necessidade de unir os conceitos de gastronomia e a cultura.

O edital foi uma oportunidade. Juntaram-se Isabella, Cecília Silva e Ugo Mello para elaborar um projeto que pudesse ocupar o espaço do Café-Teatro Nilda Spencer com cursos voltados para a gastronomia e com apresentações culturais, além de workshops e oficinas.

Ugo Mello, 35, é produtor cultural e entusiasta gastronômico. Sempre interessado em conhecer comidas novas, viu no edital uma chance de aliar a paixão pelos sabores ao amor, já antigo, pela produção cultural.

Coletivo

Amigo de Isabella, Ugo se considera um apreciador das comidas que ela faz e sempre a prestigiou nos estabelecimentos em que a amiga trabalhava. Assim que se deparou com a proposta do edital, convidou Isabella, que de imediato pensou em Cecília, também sua amiga, para completar o coletivo.

Cecília Silva, 36, é a junção do trabalho voltado para a cultura e a gastronomia em uma só pessoa. Administradora de formação, trabalhou por 14 anos como gestora de projetos socioculturais. Hoje, se divide entre o trabalho como gestora em um projeto voltado para o Slow Food – movimento que preza pela apreciação de uma comida de qualidade – no semiárido baiano e o seu negócio de venda de pães artesanais.

Para Cecília, a cozinha sempre foi o seu canto preferido da casa, desde a infância: “Adorava ajudar a minha mãe nos preparos, foi quando aprendi a fazer pão de fermentação natural, e aos 11 anos já me virava sozinha na cozinha”.

Planejamento

O Café-Teatro Nilda Spencer foi inaugurado em outubro de 2019. A ocupação gastronômica e cultural realizada pelo Coletivo Gastrocultura, através do Projeto Alimento da Alma, seria o primeiro grande evento realizado no espaço, previsto para acontecer em abril de 2020 e durar sete meses. Mas aí veio a pandemia. O planejamento foi reformulado para abranger o espaço virtual e, quando for possível, o físico.

Com dois cursos de longa duração, um voltado para a ecogastronomia e sustentabilidade e outro voltado para criatividade e empreendedorismo, a abordagem para que pudessem ocorrer ainda esse ano, sem riscos, foi optar pelo formato de transmissão ao vivo. Enquanto isso, as propostas de intervenção cultural continuam à espera de um momento melhor.

“Nós estamos acompanhando junto ao poder público quais são as orientações”, explica Ugo, que não descarta a possibilidade de elaborar uma programação cultural remota.

Os temas escolhidos para os cursos relacionam-se com as experiências dos membros do coletivo. Isabella explica que o intuito de abordar a ecogastronomia é mostrar aos alunos uma nova proposta de gastronomia, em que os alimentos não estão dissociados das comunidades e pessoas que estão construindo uma alimentação mais saudável e agroecológica.

“Esse é um edital inédito que, finalmente, trata dessa interlocução entre gastronomia e cultura e para ocupar um espaço cultural que foi criado para abrigar projetos deste tipo. Estamos muito felizes e esperamos poder realizar outros”, afirma Cecília.

Já Isabella acredita que “o coletivo Gastrocultura tem um caminho longo pela frente de valorização da cultura alimentar baiana, das nossas raízes culturais e gastronômicas”.

As inscrições para os cursos se encerraram na última sexta, 5, mas as oficinas e workshops estarão abertos para quem quiser participar, basta ficar atento na página do coletivo no Instagram: @projeto.alimentodaalma.

*Sob a supervisão do editor Marcos Dias

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