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E-book 'O canto da cidade' revê a saga do axé

Publicado segunda-feira, 06 de dezembro de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 05/12/2021, 15:47 | Autor: Victor Hernandes
Luciano Matos, também conhecido como DJ el Cabong, e o disco histórico | Foto: Marina Silva | Divulgação
Luciano Matos, também conhecido como DJ el Cabong, e o disco histórico | Foto: Marina Silva | Divulgação -
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O apogeu do axé music e a história da cantora Daniela Mercury são temas do livro O canto da cidade: da matriz afro-baiana à axé music de Daniela Mercury.  A obra é o novo e-book na coleção Discos da Música Brasileira, das Edições Sesc-SP.  O centro do livro é o disco Canto da cidade (1992), que foi um divisor de águas do ritmo baiano por todo o país nos anos 90. 

A carta de apresentação do livro, é o histórico show de Daniela no vão do Masp em 1992, que parou a Avenida Paulista. A cantora, que ainda não era muito conhecida por grande parte do público, acabou atraindo uma enorme multidão ao evento, agitando a cidade. A agitação foi tamanha que precisou ser interrompida, por conta da lotação e da forte vibração sonora, que poderia causar danos estruturais ao icônico museu paulista.

A partir deste acontecimento, o escritor Luciano Matos descreve a história da artista e da consolidação da música baiana naquele momento.

A produção nasceu de um antigo desejo do jornalista de escrever acerca da musicalidade regional. 

“A axé music é um assunto que me interessa bastante, já que escrevo sobre música e sempre fui muito ligado a essa produção. Há algum tempo já tinha vontade de escrever um livro sobre o axé. Esse livro do Canto da Cidade surgiu do convite de Lauro Lisboa”, explica Matos. 

Diferentes contextos que fazem parte da música baiana são reverberadas na produção. Desde a trajetória de Daniela Mercury, até os encontros da cantora com outros estilos, blocos e com o samba-reggae. 

“Acho que um dos grandes méritos de Daniela é juntar tudo isso. Ela conseguiu reunir de uma forma brilhante. Ao mesmo tempo em que ela acena aos blocos afros e samba reggae, também soa pop, com outros elementos universais. Além da própria axé music, que é um movimento fruto de misturas de vários gêneros musicais”, destaca o escritor. 

Retorno às origens

Além de contar esses importantes acontecimentos para o axé e a trajetória de Daniela, o livro proporciona também uma viagem às origens da música baiana, através da cena musical que nascia com os maiores representantes dos blocos e bandas afros de Salvador: Ilê Aiyê, Olodum, Malê Debalê, Muzenza, Ara Ketu e a sonoridade de Neguinho do Samba são os personagens desta parte da produção. 

“A origem do axé music, antes mesmo de ganhar essa marca, derivou muito do que era produzido nos blocos afros. Se a gente pegar alguns dos principais nomes do começo dessa história, as músicas eram gravadas por bandas afros. A origem da axé music era muito ligada a isso”, afirma Luciano.

“Daniela é o elo que traz muito dessas cargas dos blocos afro, desde os seus dois primeiros discos. Ela é uma das poucas artistas que depois dos anos 1990 ainda manteve essa influência assumida. Não tinha como falar do axé music e da trajetória dela, sem passar por esse fato. É fundamental contextualizar e citar essa trajetória da música baiana”, ressalta. 

Outra questão abordada no livro trata do embranquecimento do ritmo local promovido pela indústria fonográfica, após o distanciamento de algumas das raízes musicais.  

“O perfil dos artistas que fizeram sucesso nos anos 1980, 90 e 2000 na trajetória do axé mudou completamente. A gente tinha Luiz Caldas, Banda Mel, Olodum, Sarajane e Gerônimo. Depois foi embranquecendo, não precisa nem de uma pesquisa profunda, é muito evidente. No livro inclusive tem alguns produtores brancos do axé music que concordam com isso”, analisa o escritor. 

Destaques

Um dos pontos principais contemplados pelo autor é o desenvolvimento ocorrido no percurso do estilo musical baiano. Para ele, todos esses fatos são de extrema significância para a cultura da Bahia.    

“Essa forma como a indústria do axé music se moveu é uma das coisas que destaco do livro. A ideia de contar a origem dos blocos afros, dos primeiros artistas, de Daniela se aproximando deste universo e o que essa música virou, é o que mais chama atenção na obra. Até o próprio disco também é um marco, justamente por sinalizar essa mudança na indústria, levando o ritmo a outro patamar”, revela. 

Compositores negros, artistas e criadores da música da Bahia, também são analisados na produção. Entre esses, figuras muito importantes para a temática proposta pela obra, como Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Liminha, Vovô do Ilê, Márcia Castro, Márcia Short, Mestre Jackson e Letieres Leite. A valorização da memória musical é também destacada pelo escritor. 

“A maioria das produções sobre o axé falam muito sobre as grandes estrelas e esquecem desses compositores. Eles tem histórias incríveis, são base dessa música. As grandes canções do ritmo foram feitas por essas pessoas e merecem destaque. O que eles contam no livro sobre algumas músicas precisa de uma atenção também, porque é uma parte muito interessante”, sinaliza. 

O Canto da cidade: da matriz afro-baiana à axé music de Daniela Mercury pode ser adquirido em lojas virtuais ou aplicativos da Amazon, Apple iBooks Store,  Google Play ou Livros Kobo. 

Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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