OUVIR, LER, VER
Experiências enriquecedoras
Moisés Victório*
Por Moisés Victório*

Ouvir
No último ano, mergulhei profundamente no processo de produção e gravação do trabalho musical que acabei de lançar, o EP Borí, já disponível em todas as plataformas musicais. Já ouviram? Nesse período, quase não consegui ouvir outra coisa, senão as inúmeras faixas testes com arranjos, texturas e vozes que gravamos ao longo do processo. Foi maravilhoso! Junto comigo, nessa missão, estava o maestro e produtor Cassius Cardozo. Compartilhamos alguns gostos musicais determinantes para nossa caminhada. Clássicos como Os Tincoãs (73), Lokua Kanza (93), Timbalada (93), Roberto Mendes (95), Munia (2003), Tiki (2006) e Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz (2009) são discos de grandes artistas que admiramos e que nos conectam. E, claro, faço questão de indicar. Dos álbuns mencionados, os únicos artistas não baianos são Lokua Kanza e Richard Bona – com Munia e Tiki. O primeiro é um cantautor e arranjador congolês e o segundo é um multi-instrumentista e cantor camaronês. Divinos, os dois. Impressionante como a obra deles ressoa Bahia e vice-versa.
Ler
Falando em ressoar, chegou às livrarias o novo livro da autora nigeriana Chimamanda Adichie, A Contagem dos Sonhos. Admiro a visão de mundo da autora e como ela nos enreda em temas complexos de modo didático e instigante. Lembro de presentear minha filha mais velha, Beatriz, com o manifesto Para Educar Crianças Feministas. Era 2017. Ela tinha apenas 9 anos e foi uma experiência enriquecedora lermos juntos. O novo livro da autora chegou às prateleiras uma semana antes do aniversário da minha filhota. Aí, já sabe! Não perdi tempo e fui logo garantir esse presentão para brindar os 17 anos da leitora mais voraz e dedicada que conheço. Ao lado de Buchi Emecheta e Wole Soyinka, Chimamanda completa a trinca de autores nigerianos que eu mais admiro e recomendo, mas vale indicar a moçambicana Paulina Chiziane e o seu livro Niketche, que mistura bom humor e consciência social com boas doses de lirismo.
Ver
Venho me dedicando ao estudo regular das línguas, culturas e cosmogonias africanas, em especial a cultura nagô-yorubá. Sempre que busco por filmes e documentários esse interesse direciona meus olhares. Recentemente, chegaram aos streamings alguns filmes nollywoodianos – como é conhecida a indústria cinematográfica nigeriana – e dentre eles destacaria os títulos O Cavaleiro do Rei, Aníkúlápó e Jagun Jagun. Todos nos oferecem uma viagem no tempo e a chance de conhecer a cultura, as filosofias e a magia desse povo que nos fundamenta em nossa diáspora.
*Gestor cultural e artista interdisciplinar
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