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Macarronada pode ficar ainda melhor sem molho de tomate


Se em tempo de crise, como prega certa máxima do mundo dos negócios, é preciso ver as oportunidades, a alta do preço do tomate pode ser apropriada para ampliar as experiências do paladar.
A sócia do restaurante A Saúde na Panela, Renilde Barreto, embora elabore receitas saudáveis com molho de tomate orgânico, não se priva de outros sabores. É o caso da massa com molho pesto, independentemente dos humores da safra do tomate e da inflação.
De origem genovesa, o molho dela leva manjericão, azeite de oliva extra-virgem, alho, sal marinho e castanha-do-pará — que substitui os pignoles.
A manha consiste em lavar e secar o manjericão, destacar os talos das folhas e bater com os outros ingredientes num liquidificador ou processador.
Mas se tiver um pilãozinho de mármore, fica ainda melhor macerar as folhas, deixando pedacinhos da castanha. O molho também pode ser feito com rúcula ou agrião.
Macarronada - A culinarista Elíbia Portela lembra, com humor, quando se dizia antigamente que molho para macarronada levava abóbora e tomate. Mas é categórica: "Nada pode substituir o tomate, não só pelo sabor, mas pela consistência e apresentação".
Para ela, o que pode ser mais econômico, no momento, é fazer um molho "com menos tomates", aliado ao urucum (de que é feito o colorau). Basta pilar as sementes e misturar ao azeite de oliva. Depois, basta juntar cebolas e vegetais e eis o molhão.
"Os brasileiros, que usam o tomate no dia a dia mais para dar cor, não vão sentir muito até as coisas se resolverem", diz ela, alertando que o urucum tem sabor próprio.
Ao mesmo tempo, recomenda para quem faz uso doméstico olhar com atenção as feirinhas. "As pessoas estão acostumadas a ir aos supermercados. É bom parar com isso de achar tudo pronto".
Para o chef italiano Alessandro Narduzzi, do Boteco Lupetta, a solução temporária é juntar tomates pelati italianos aos frescos. Uma lata rende dois quilos e meio de molho e sai mais barato que encarar 20 kg por R$ 120. "O tomate está caro, mas está péssimo também em relação à qualidade, não tem sabor", reclama.
Quem vem de uma terra em que às vezes jogam fora os tomates porque não há mão de obra para colhê-los, sabe o que está falando. E fazendo: com ou sem crise, são dele as melhores pastas da cidade.