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Para amazonizar Salvador

Verde Grão

Pedro Hijo
Por Pedro Hijo
Tambaqui assado na brasa, carro chefe do restaurante Verde Grão
Tambaqui assado na brasa, carro chefe do restaurante Verde Grão - Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Apresentar a comida do Norte do Brasil ao soteropolitano é o objetivo da chef Flávia Nolêto e do empresário Paulo Simas. A dupla está à frente do restaurante Verde Grão, localizado no bairro de Itapuã, em Salvador.

A tônica entre uma pernambucana e um amazonense tem promovido um cardápio inédito para a capital baiana: o menu mistura comidas típicas do nordeste com iguarias nortistas ainda pouco conhecidas pelo baiano.

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Pela manhã, o estabelecimento oferece um desjejum para nenhum nordestino colocar defeito. De segunda a sexta, o cliente pode comer quitutes como bolos típicos e beijus, e tomar sucos de frutas locais no modelo à la carte.

Já aos fins de semana, o café da manhã é servido no formato de buffet a quilo (R$ 69). O cardápio muda consideravelmente no almoço. Há um ano, o Verde Grão oferece pratos inspirados na culinária nortista para deixar qualquer um curioso para experimentar.

O carro-chefe é o tambaqui na brasa, peixe de água doce, típico da região amazônica. A refeição acompanha farofa (que pode ser a tradicional de manteiga ou a manauara, com grãos maiores), vinagrete e um baião de dois sem queijo coalho, como é feito nos estados do Norte do país. O restaurante oferece duas possibilidades para provar a iguaria: o cliente pode comer o peixe no buffet a quilo do almoço (R$ 79) ou encomendar a banda de tambaqui. O corte é disponibilizado nos formatos pequeno, para duas pessoas (R$ 70); médio, que alimenta três pessoas (R$ 90); grande, suficiente para um grupo de quatro (R$ 110); e GG, para os mais famintos (R$ 130).

Flávia conta que a técnica do corte em banda é típica do Norte. "Tira-se a espinha e é preservada a costela", explica. Os empresários ainda têm dificuldade de encontrar fornecedores locais de tambaqui, por isso, compram com psicultores do Sul da Bahia e de Rondônia. Já a farinha de Uarini, feita da mandioca fermentada, e o tucupi, caldo extraído da mandioca brava, vêm diretamente de um chef de Manaus.

Outro prato que tem chamado a atenção dos clientes é o famoso tacacá, entoado na canção Voando pro Pará, da cantora Joelma. A refeição típica da região amazônica é uma espécie de sopa feita com tucupi, goma de tapioca, camarão seco e da planta jambu. No Verde Grão, a porção pequena de tacacá custa R$ 20 e a grande R$ 25.

Introduzir um cardápio pouco comum para o paladar do baiano é um desafio para a dupla. A preparação do tambaqui na brasa, por exemplo, foge das receitas de peixe cozido (como na moqueca) ou frito (no estilo servido nas praias de Salvador), que o baiano está acostumado. Flávia explica o porquê da escolha da brasa. "Para assar, é preciso que o peixe seja gorduroso, mas também trabalhamos com o [peixe] vermelho, com a pescada amarela e com prejereba", conta.

Para contemplar o público que tem resistência a experimentar comidas novas, o Verde Grão incluiu opções mais familiares. A porção nordeste do cardápio contempla carnes de carneiro, bode e galinha caipira, por exemplo. Mas, para Paulo, é importante que o cliente se disponibilize a conhecer a culinária dos estados do Norte do Brasil. O restaurante, inclusive, lançou uma campanha nas redes sociais com a hashtag #boraamazonizarsalvador, para atrair os baianos. "O tambaqui é o alimento do futuro", diz. "Vivemos em uma cidade litorânea que não come muito peixe, precisamos mudar isso".

Endereço: Rua Professor Souza Brito, 284, Itapuã, Salvador. Instagram: @verdegrao. Telefone: (71) 99993-7474. Horários: Todos os dias das 7h30 às 14h30.

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