Piloto baiano de drift tenta criar condições para treinar em Salvador

Publicado domingo, 27 de dezembro de 2020 às 17:30 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Adriano Motta*

Você já pode ter visto o drift em filmes, especialmente na famosa franquia Velozes e Furiosos, ou então em jogos de corrida, como Need for Speed ou Forza. É quando o carro faz uma derrapagem controlada, em que o piloto consegue controlar o carro de lado o tempo todo. O que talvez você não saiba é que a prática, surgida no Japão nos anos 1970, é profissionalizada, existem regras que embasam o esporte e que um dos principais nomes da modalidade aqui no Brasil é um baiano chamado Francisco Horne, mais conhecido como Chico Horne, um dos dois únicos pilotos de drift do Norte-Nordeste competindo nacionalmente.

“Eu me defino como alguém que gosta de esportes. Eles sempre estiveram na minha vida”, lembra Chico, que até quando viaja precisa colocar esportes, de preferência os não convencionais, no meio. Ele foi membro de uma das primeiras expedições nacionais a descer a Cachoeira da Fumaça, localizada em Palmeiras, de rapel. Também participou de provas de triatlo e é paraquedista. “Sou muito competitivo, gosto da adrenalina”.

Influenciado por nomes como Nelson Piquet e Ayrton Senna, ele sempre foi apaixonado por corridas desde cedo. Isso logo se manifestou quando pedia a seu pai para dirigir um Fusca num sítio. “Foi aí que comecei minhas pequenas aventuras, fazendo cavalo de pau, puxar freio de mão”, recorda. Prática que se manteve mais tarde, pegando o carro da mãe para treinar os cavalos de pau (uma manobra para fazer o veículo derrapar e dar meia-volta) que fazia.

Apesar de não considerar essa manobra como drift, ele conta que foi assim que percebeu gostar de dirigir de maneiras diferentes. “Era minha forma de dizer que queria pegar os carros para andar de maneira não convencional”, afirma.

Se no começo ele dirigia fuscas e carros do dia a dia, hoje seu modelo principal é um BMW modelo E36 Turbo. Além de ter também um Nissan 350Z, embora esse ainda não esteja preparado para competições. “Gosto porque é um carro que dá para fazer drift e comprar pão, é operário para toda obra”.

Imagem ilustrativa da imagem Piloto baiano de drift tenta criar condições para treinar em Salvador
Chico em uma manobra: ele é um dos dois pilotos de drift do Norte-Nordeste competindo nacionalmente | Foto: Marcello Raghi | Divulgação

Domando a fera

Mesmo com esse background automobilístico, o seu início com o drift foi apenas há três anos, após fazer um curso para aprender as técnicas. De lá para cá, foi se apaixonando cada vez mais pela modalidade. “O que mais recordo é dizer ‘caramba, agora consigo fazer isso de modo controlado’. Ter a capacidade de domar essa fera e aprender drift é uma das melhores coisas para isso”, afirma.

Chico pode até ter começado de maneira casual, mas logo seu instinto de competição apareceu e passou a buscar a correr competitivamente. Segundo ele, não é possível viver somente do drift no Brasil. “Ainda é um cenário de sonho, infelizmente”, lamenta.

Logo entrou na equipe em que faz parte atualmente, a BSB Drift, dirigida por um dos nomes mais experientes no Brasil tratando-se da modalidade, Hélio Fausto, que não só é seu atual chefe como foi seu primeiro professor de drift. “Chico é um dos melhores do país no assunto”, afirma Hélio, que também é um cara com quem o baiano se orgulha de trabalhar: “Ele é meu mentor, treinador, um dos que mais sabem de drift no país”.

Objetivos

A rotina de um piloto de drift, certamente, conta com situações de corrida, buscando alcançar objetivos na pista com mais precisão. Mas também passa por muitos outros esportes para conseguir fazer as manobras na pista. Desde treinos para suportar o peso do capacete e conseguir puxar o freio de mão durante a derrapagem – algo que pode ser bem mais difícil do que parece – até natação e aeróbica para facilitar e suportar os movimentos dentro do carro. “Quanto mais leve, é sempre melhor”.

Sua principal frustração é não ter onde treinar em Salvador. Precisa ir a Brasília. E é uma situação que já interfere em seu desempenho, como as batalhas de lead and chase (parte do drift em que um dos carros vai à frente e um segundo o persegue). “Um dos meus objetivos é conseguir um lugar para treinar aqui. Com a pandemia, praticamente não pude praticar.

Nos EUA, onde morou por algum tempo, lembra que o cenário do drift por lá é superior por haver mais investimento. “Tem muito mais dinheiro, empresas patrocinando. É um outro nível”. A principal competição mundial é a Fórmula Drift. Já no Brasil, existem dois torneios importantes: o Super Drift Brasil e o Ultimate Drift. Ele participou dos dois e foi o primeiro baiano a correr nas competições.

No Ultimate Drift, da Confederação Brasileira de Automobilismo, ele ficou com 17 pontos em 2019, terminando em 18º lugar. Em 2020, algumas das etapas foram canceladas. Isso não o impediu de continuar correndo e, se pelo drift não conseguiu correr muito, nas provas de velocidade se saiu bem e quebrou o recorde baiano em provas de meia milha: 300 km/h.

*Sob a supervisão do editor Marcos Dias

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