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Projeto Baleia Jubarte celebra 30 anos de atuação e lança livro

Trabalho realizado pelo Instituto nas três primeiras décadas foi reunido no livro Salvas da extinção

Gilson Jorge
Por Gilson Jorge
Visão espetacular na costa de Salvador
Visão espetacular na costa de Salvador - Foto: Divulgação

Todos os anos, entre julho e novembro, hotéis, pousadas e operadores turísticos que atuam no litoral baiano promovem o turismo de experiência para quem quer conferir de perto a passagem das baleias jubarte, uma encantadora espécie que pode atingir até 16 metros de comprimento e pesar 40 toneladas.

Entre o inverno a primavera, esses mamíferos cetáceos de cor escura deixam a gelada Antártica em uma viagem de 4.500 km, que pode levar mais de um mês, para acasalar, gestar e amamentar seus filhotes. De quebra, oferecem aos humanos um lindo balé a cada vez que emergem do oceano em busca de oxigênio.

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Estima-se que haja cerca de 20 mil indivíduos da espécie bailando pelos oceanos do planeta, mas há 30 anos eram muito menos, entre 500 e 800, segundo os pesquisadores, e a espécie esteve seriamente ameaçada de extinção, em função da caça predatória. Uma atividade tão intensa no fim da década de 70 e início da de 80 que, em terra firme, levou a dupla Roberto e Erasmo Carlos a compor a música As Baleias.

No mar da Bahia, sete anos mais tarde, uma outra dupla respondia ao apelo com ação. Uma das iniciativas que permitiram a continuidade do espetáculo da natureza foi o Projeto Baleia Jubarte, iniciado em 1988 pela bióloga Márcia Engel e pelo ambientalista Enrico Marcovaldi, cinco anos depois que a Ditadura Militar, tocada pelo protesto do Rei Roberto, criou o Parque Marinho Nacional dos Abrolhos, no arquipélago homônimo que concentra boa parte das baleias durante sua temporada pelo Brasil.

O trabalho realizado pelo Instituto Baleia Jubarte em suas três primeiras décadas de existência foi reunido no livro Salvas da extinção - A história do Projeto Baleia Jubarte, que está sendo lançado no início deste ano em diversas cidades, juntamente com uma exposição fotográfica.

O livro é uma parceria de Márcia com outro pesquisador que se uniria posteriormente ao projeto, o médico veterinário e consultor ambiental Milton Marcondes, que desde 2002 ocupa o cargo de coordenador do setor de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte.

“Muita gente participou, das mais diferentes formas, do engajamento pela causa da conservação”, afirma a bióloga, que deixou o instituto em 2018, quatro anos depois que o Ministério do Meio Ambiente anunciou que a espécie havia deixado a lista de animais em risco de extinção.

O Instituto começou de forma amadora, com uma salinha no antigo Centro Abrolhos, em Caravelas, de onde partiram as primeiras expedições rumo ao arquipélago. O trabalho cresceu com o apoio da ONG WWF, das Fundações Boticário e Natura e o empresário e biólogo paulista Luiz Augusto Farnetani. Mas ganhou uma dimensão muito maior quando recebeu o apoio institucional da Petrobras, em 1996.

“Muitas pessoas olham a estrutura existente hoje, mas não sabem como foi o processo da ocupação da primeira sala, a contratação da primeira bióloga, o primeiro carro. O caminho foi super longo”, lembra Marcia, que destaca o privilégio de ter pesquisado as baleias jubarte, que classifica de “animais interessantíssimos em termos de comportamento e complexidade”.

Grandes asas

As baleias jubarte foram reconhecidas pelos cientistas no litoral dos Estados Unidos da América, na região conhecida como Nova Inglaterra. Em função das suas extensas nadadeiras peitorais e do local da descoberta, receberam o nome científico de Megaptera noavengliae – as grandes asas da Nova Inglaterra”.

Mas a grande ocorrência dos animais no Atlântico Sul e a base que eles estabeleceram em torno de Abrolhos acabaram por torná-los presença constante no litoral baiano. Quem nunca viu um desses mamíferos gigantes se exibindo em uma praia do estado que atire o primeiro mapa mundi.

A concentração das baleias no litoral brasileiro e a sua recuperação demográfica impulsionaram no país o Whale Watching, prática de observação das baleias em excursões de barcos desenvolvida em mais de 100 países, segundo o Instituto Baleia Jubarte.

No Brasil, desde 1988 existem as chamadas “Normas de avistagem”, que estabelecem sete proibições para quem quer transformar a estadia das baleias por aqui numa espécie de BBB marinho. Pelas regras, por exemplo, os barcos devem se manter a pelo menos 100 metros de distância do animal mais próximo do baleal.

“As jubarte eram raras e restritas a Abrolhos. Hoje você quase tropeça, entre aspas, em uma baleia quando sai de barco na temporada. Eu mesma não acreditava que o resultado ia ser tão bonito”, afirma a bióloga.

Para Milton Marcondes, a baleia-jubarte é um exemplo de sucesso de uma espécie que esteve à beira da extinção mas que agora nada ao longo de toda a costa. “Isso mostra que com esforço e embasamento científico é possível conservar a natureza. Essa é uma história que merecia ser contada e que traz um pouco de esperança para o atual momento que estamos vivendo", declara Milton.

O Projeto Baleia Jubarte tem sedes na Praia do Forte e em Caravelas, na Bahia, e outra em Vitória, no Espirito Santo. Entre as atividades desenvolvidas estão pesquisa científica, turismo, educação ambiental e conservação.

A exposição fotográfica relacionada ao livro estará disponível até esta segunda, 21, no Espaço Baleia Jubarte, na Praia do Forte; de 22 de fevereiro a 6 de março no Shopping Paralela; de 9 a 20 de março no Museu Náutico da Bahia, no Farol da Barra; e de 22 a 31 de março no Salvador Norte Shopping. Depois, segue para as cidades baianas de Itacaré, Porto Seguro e Caravelas, Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ) e Ilhabela (SP).

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