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Show beneficente celebrará os 30 anos de carreira de Luciano Calazans, o Maestro Azul
Por Gilson Jorge

Quando completou 40 anos de idade, em 2014, o baixista, arranjador e regente autodidata Luciano Calazans decidiu festejar o aniversário com um show improvisado para moradores de rua, na Praça da Piedade.
A exibição, que está disponível no Youtube, arrancou aplausos de passantes pelo virtuosismo na execução do contrabaixo, mas pouca gente reconheceu a identidade do artista que está presente em mais de 700 CDs, a maioria de astros da axé music, mas que também escreve sinfonias, sem nunca ter cursado uma faculdade de Música. O que não o impediu de ser reverenciado no meio musical.
Desta vez, quando começou a planejar um show beneficente para o próximo aniversário, no próximo dia 15, a adesão por parte de seus renomados parceiros de música foi tão grande, que o show Contrabaixo astral, originalmente pensado para o Teatro da Casa do Comércio, vai a abrir a pauta de 2020 do Teatro Castro Alves.
As últimas adesões foram anunciadas esta semana. O baterista Felipe Brasil e o maestro da Orquestra Sinfônica da Bahia, Carlos Prazeres, se somaram aos nomes que já foram anunciados, como Gerônimo, Saulo, Margareth Menezes e Armandinho.
Mesmo alguns artistas que não estarão presentes, como Ivete Sangalo, publicaram no Instagram vídeos em apoio ao evento, que terá toda a renda revertida ao Núcleo de Atendimento à Criança com Paralisia Cerebral (NACPC), uma ONG localizada no Alto de Ondina.
Um dos nomes que abraçaram a causa de primeira foi Margareth Menezes, de cuja banda Calazans fez parte aos 17 anos, depois de uma passagem pela Banda Reflexus. Sim, ainda menor de idade, ele já integrava a banda que havia ficado famosa anos antes em todo o país com o sucesso Madagascar, ilha do amor.
“Sempre houve e haverá uma amizade pela pessoa especial que ele é. Um grande músico, com ouvido absoluto, e agora comemorando um tempo de carreira com desdobramento social”, afirma Margareth.
A iniciativa sensibilizou também o diretor dramaturgo Elísio Lopes Júnior, diretor de conteúdo do programa Se Joga, da Rede Globo, que foi convidado por Calazans a fazer a direção artística do evento. Ambos trabalharam juntos no especial de Ivete Sangalo com Caetano Veloso e Gilberto Gil e na gravação do primeiro DVD de Saulo, depois de deixar a Banda Eva, na Concha Acústica, em 2012.
“A gente ficou meio se paquerando para que eu dirigisse um espetáculo dele e chegou a oportunidade”, afirma Lopes, que presenciou Calazans em lágrimas no show da Concha e depois da gravação declarou que ele é o maestro que rege e chora.
Emoções
Calazans lembra das lágrimas. Naquele dia, e mesmo nos ensaios, ele e o amigo Saulo, que iniciava sua carreira solo, choraram muito juntos. “Foi um ano de muitas emoções, boas e ruins”, destaca o maestro, como passou a ser chamado pelo cantor, que pela primeira vez se apresentava com uma orquestra sinfônica.
Meses antes, Calazans foi convidado pela Secretaria de Cultura do Estado para comandar um espetáculo musical em homenagem ao centenário de Jorge Amado. O menino que aos 13 anos já sustentava a família tocando em bares da Liberdade com instrumentos emprestados, virou referência na celebração de um dos principais escritores brasileiros. Ao falar, durante a gravação, que “o amor é azul e tem três sustenidos”, Calazans passou a ser chamado por Saulo de Maestro Azul.
O nome, aliás, batizou a produtora conduzida por sua mulher, Taís Nader, cantora que depois de complicações em uma gravidez, se dedicou à produção. “Eu vou cuidar basicamente da estrutura”, declara Taís, assinalando que mesmo com os artistas abrindo mão do cachê, é preciso oferecer as condições para que o aniversário beneficente seja inesquecível.
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