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África apóia plano do FMI descartado por Brasil e emergentes

Agência Reuters
Por Agência Reuters

A África endossou uma proposta aprovada na semana passada pelo Fundo Monetário Internacional para aumentar o poder de voto das economias emergentes, apesar da forte oposição dos principais países em desenvolvimento, que temem que esse plano não reduza o domínio dos EUA e da Europa.



Damian Ondo Mane, um dos dois diretores africanos do conselho de diretores do FMI, formado por 24 membros, disse que a África apoiou a proposta apenas depois de receber garantias de que a sua própria voz não será diluída.



As mudanças no FMI têm como objetivo refletir a ascensão dos mercados emergentes na economia global e restaurar a relevância da instituição como emprestador internacional e guardião da estabilidade financeira.



O rápido crescimento econômico de países como Índia e China fizeram com que eles se queixassem que o atual domínio do Estados Unidos e da Europa é um anacronismo.



"Não posso dizer que esteja satisfeito com todo o pacote", disse à Reuters Onde Mane, em entrevista realizada neste fim de semana. "Apoiamos o pacote depois de recebermos garantias mínimas de que as nossas participações não serão desgastadas", acrescentou.



A proposta, a ser ratificada pelo conselho de governadores do FMI nas reuniões de Cingapura, marcadas para daqui a duas semanas, propõe um "pagamento à vista" inicial de aumento no poder de votação, ou quotas, da China, Coréia do Sul, Turquia e México, as economias emergentes mais sub-representadas.



As quotas determinam com quanto dinheiro cada membro contribui para o FMI e quanto pode tomar emprestado, e são o principal fator de poder decisório.



Numa segunda fase está previsto um aumento dos chamados votos básicos dos membros --como defendia a África-- e uma nova rodada de ajustes de quotas para as economias emergentes. Os votos básicos são outro componente do poder de foto dentro do FMI e os países africanos os consideram mais importantes.



O pacote foi aprovado na quinta-feira, com o apoio Grupo dos Oito países mais industrializados, que têm o maior poder de voto no FMI.



Onde Mane disse que a África apoiou a proposta depois de acréscimos de último momento pelo diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato, de forma a garantir que a força da África fosse protegida, independente de outras mudanças.



O pacote geral recebeu a oposição de mais de 50 países em desenvolvimento, representados pelo Brasil, Índia, Argentina, Egito, Malásia, Irã e Arábia Saudita, que rejeitaram o pacote ou se abstiveram de comentá-lo durante a reunião de quinta-feira, presidida por Rato.



Uma nota divulgada pelo FMI na sexta-feira não mencionou a oposição, o que deixou fortes dúvidas entre os países em desenvolvimento sobre se as reformas propostas vão restaurar a legitimidade do FMI.



Ondo Mane disse que a África pressionou por aumentos nos votos básicos porque eles são mais relevantes para os membros mais pobres do fundo, que têm pequenas quotas.



"Os votos básicos foram reduzidos de 12 por cento para 2 por cento com o aumento das quotas e achamos que não podemos continuar assim porque é parte dos artigos do acordo", disse Ondo Mane.



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