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Árabes moderados temem enfraquecimento com conflito

Agencia Estado
Por Agencia Estado

O rei Abdullah II da Jordânia, aliado-chave de Washington, advertiu hoje a Israel e aos Estados Unidos que os combates no Líbano provocaram o enfraquecimento dos moderados em todo o Oriente Médio. Mesmo se o Hezbollah for destruído, como pretende Israel, a hostilidade em relação ao Estado judeu é tão alta hoje que outro grupo do tipo irá surgir na Síria, no Egito, no Iraque - ou até mesmo em seu próprio país, afirmou o rei.

"O povo árabe considera o Hezbollah um herói porque está enfrentando a agressão de Israel", continuou. "Este é um fato que os Estados Unidos e Israel têm de perceber: enquanto houver agressão, haverá resistência e haverá apoio popular a essa resistência". O conflito, já em sua terceira semana, fez aumentar a tensão no Oriente Médio e líderes como Abdullah, que inicialmente responsabilizava o Hezbollah pelo início das hostilidades por ter seqüestrado dois soldados israelenses em 12 de julho, têm se tornado cada vez mais críticos dos EUA e de Israel.

Abdullah e outros árabes moderados, como os líderes do Egito e da Arábia Saudita, agora advertem que os combates bloquearam, ou mesmo esmagaram, qualquer esperança de reviver o processo de paz no Oriente Médio. Numa entrevista a diários jordanianos, Abdullah disse que a "agressão de Israel superou todos os limites e deve parar imediatamente".

Ele estimou que os ataques israelenses no Líbano e nos territórios palestinos provocaram "desesperança em toda a região" e "enfraqueceram as vozes da moderação". Na capital egípcia, o Cairo, cerca de 50 mulheres do partido pan-árabe Nasseriate promoveram hoje um protesto na frente da Embaixada dos EUA exigindo um cessar-fogo imediato e proteção para as mulheres e as crianças libanesas.

O líder do principal partido de oposição do Egito, a proscrita Irmandade Muçulmana, anunciou hoje que o grupo está preparado para enviar 10.000 "combatentes sagrados" para ajudar o Hezbollah em sua luta. O presidente egípcio, Hosni Mubarak, tem frisado explicitamente que não deixará seu país ser arrastado para o conflito.

Mubarak, cujo país foi o primeiro árabe a assinar um tratado de paz com Israel, já tinha advertido no começo da semana que todo o processo de paz do Oriente Médio pode desmoronar devido aos ataques de Israel no Líbano. Na Malásia, o presidente radical do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, criticou duramente Israel e pediu fim das hostilidades. "Apesar de a solução maior ser a eliminação do regime sionista, neste momento um cessar-fogo imediato tem de ser implementado", discursou ele na Organização da Conferência Islâmica - que reúne 56 países muçulmanos.

A reunião exigiu um imediato cessar-fogo no Líbano e uma investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) de supostos crimes de guerra cometidos por Israel. No Iraque, milhares de jovens se dirigem para Bagdá a fim de participar de uma manifestação em apoio ao Hezbollah convocada para amanhã pelo clérigo xiita antiamericano Muqtada al-Sadr.

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