MUNDO
Caças da Etiópia atacam aeroportos na Somália
Aviões etíopes atacaram nesta segunda-feira duas bases aéreas mantidas por islamistas na Somália, disseram testemunhas, nas açõesmais dramáticas de uma guerra que ameaça tomar toda a região conhecida como "Chifre da África".
Os ataques -- um dos quais na capital Mogadishu -- foram realizados depois que a Etiópia declarou guerra formalmente, dizendo estar protegendo sua soberania contra um movimento coordenado por terroristas.
Um caça MiG atacou o aeroporto internacional de Mogadishu com tiros de metralhadora, disse à Reuters o diretor do local, Abdirahim Adan. Três caças atacaram depois a maior base aérea da Somália, em Baledogle, a 100 quilômetros a oeste da capital.
"Eles estão atingindo a pista e posso vê-la sendo atingida", disse um combatente islâmico, que pediu para não ter o nome divulgado.
Uma semana de combates entre islamistas e o governo secular da Somália, apoiado pela Etiópia e pelo Ocidente, transformaram os conflitos em uma guerra aberta.
Depois de um ataque inicial dos islamistas, dizem analistas, parece que a Etiópia evitou que chegassem ao objetivos de derrubar o governo interino.
Addis Ababa e Washington dizem que os islamistas, que controlam a maior parte do sul da Somália, depois de capturarem Mogadishu, em junho, são terroristas apoiados pela Eritréia, inimiga da Etiópia, e pela Al Qaeda.
A Etiópia prometeu proteger o governo, que está virtualmente cercado por combatentes islâmicos na cidade de Baidoa, na metade do caminho entre Mogadishu e a fronteira etíope.
Nesta segunda-feira, os combates continuaram pelo sétimo dia perto de Daynunay, nos arredores de Baidoa, entre combatentes leais ao Conselho de Cortes Islâmicas da Somália (SICC) e tropas do governo com apoio de tanques, artilharias e ataques aéreos da Etiópia.
O governo disse que fechou todas as fronteiras -- em medida simbólica, já que tem pouco efeito fora de Baidoa.
O porta-voz Abdirahman Dinari disse que o governo aprovou o uso de força aérea da Etiópia.
"Aonde os terroristas levem armas e munição, merece ser atingido", disse.
CIDADE TOMADA
A Etiópia disse que atacou o aeroporto da capital porque o governo declarou as fronteiras da Somália fechadas.
"Foi atacado porque vôos ilegais estavam tentando pousar lá", disse Solomon Abede, porta-voz do Ministério do Exterior da Etiópia. "Também foi registrado que alguns extremistas queriam sair por ar de Mogadishu."
Agências de ajuda que atuam na Somália disseram que não foram informadas sobre o fechamento das fronteiras.
Os islamistas acusaram a Etiópia de atingir civis.
"O último ataque aconteceu em um momento em que muita gente viaja para participar do haj", disse Abdi Kafi, dirigente do SICC, sobre o ataque aéreo em Mogadishu. "É um ataque horrível."
O primeiro-ministro do governo interino, Ali Mohamed Gedi, disse à Reuters que 8.000 combatentes estrangeiros entraram na Somália para apoiar os islamistas. Ele concorda com a recente acusação dos EUA de que o alto escalão dos islamistas é controlado pela Al Qaeda.
Ambos os lados dizem que mataram centenas de oponentes nos últimos dias em ataques com morteiros, foguetes, metralhadoras e tanques, mas não houve verificação independente.
O embaixador da Somália na Etiópia disse que forças do governo mataram 500 combatentes islâmicos, a maioria da Eritréia.
Um motorista de táxi em Baidoa disse à Reuters que viu caminhões militares etíopes levando feridos da frente de batalha na segunda-feira.
"Vejo caminhões grandes carregando soldados etíopes feridos, deitados em colchões sujos de sangue", disse Abdullahi Hassan por telefone. "Eles estão indo na direção do aeroporto."
Os islamistas têm apoio popular e dizem que seu principal objetivo é restaurar a ordem na Somália, depois de anos de anarquia.
Addis Ababa teme a formação de um estado islâmico de linha dura e acusa do SICC de querer anexar a região de Ogaden, na Etiópia, onde a população é de origem étnica somali. Especialistas da ONU dizem que 10 países estão armando os dois lados, de forma ilegal.
O Quênia, país vizinho, está se preparando para o aumento do número de refugiados em sua fronteira norte com a Somália. Agências de ajuda tentam ajudar centenas de milhares de somalis afetados pelo conflito e pelas piores enchentes em anos.
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