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China suspende negociação nuclear com EUA por vendas de armas a Taiwan

Em maio de 2023, a China dispunha de mais de 500 ogivas nucleares operacionais

AFP
Por AFP
Instituto de Pesquisa Internacional para a Paz de Estocolmo estima que a China possua 410 ogivas nucleares
Instituto de Pesquisa Internacional para a Paz de Estocolmo estima que a China possua 410 ogivas nucleares - Foto: ADEK BERRY / AFP

A China afirmou nesta quarta-feira (17) que suspende suas negociações com os Estados Unidos sobre controle e não proliferação de armas nucleares como resposta às vendas de armamento que Washington envia à ilha de Taiwan.

Em novembro, Estados Unidos e China mantiveram conversas pouco usuais sobre essa questão como parte de uma estratégia para melhorar suas relações antes de uma cúpula entre seus respectivos presidentes, Joe Biden e Xi Jinping.

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Mas desde então não foram anunciadas novas negociações e, segundo um alto funcionário da Casa Branca em janeiro, a China não respondeu às suas propostas sobre "redução de riscos".

"Os Estados Unidos continuaram suas vendas de armas a Taiwan e empreenderam uma série de ações negativas que prejudicam gravemente os interesses centrais da China e minam a confiança política mútua", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian.

"Por essa razão, a China decidiu suspender negociações com os Estados Unidos sobre uma nova rodada de consultas para controle de armas e não proliferação", acrescentou.

A China considera esta ilha de governo autônomo como parte de seu território e nunca renunciou ao uso da força para tomar seu controle.

Embora em 1979 tenha mudado seu reconhecimento diplomático de Taipé para Pequim, os Estados Unidos mantêm-se como o principal apoio internacional de Taiwan e seu maior fornecedor de armas.

Em um relatório apresentado ao Congresso em outubro, o Pentágono advertiu que a China estava desenvolvendo seu arsenal nuclear mais rapidamente do que antecipado pelos Estados Unidos.

Em maio de 2023, a China dispunha de mais de 500 ogivas nucleares operacionais, segundo o Pentágono, que previu que superaria o milhar em 2030.

O Instituto de Pesquisa Internacional para a Paz de Estocolmo estima que a China possua 410 ogivas nucleares, longe das 3.700 dos Estados Unidos e das quase 4.500 da Rússia.

- EUA "lamenta" decisão da China -

Os Estados Unidos consideraram "lamentável" a decisão da China, segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller, e indicaram que isso "sabota a estabilidade estratégica".

"Infelizmente, ao suspender essas consultas, a China escolheu não continuar os esforços que facilitariam controlar os riscos estratégicos e evitar a custosa corrida armamentista", afirmou o porta-voz, e lamentou que a China tenha "escolhido seguir o exemplo da Rússia".

Ele sublinhou que os Estados Unidos reforçaram "a defesa de nossos aliados e parceiros no Indo-Pacífico frente às ameaças chinesas que pesam sobre sua segurança".

"A China está disposta a manter a comunicação com os Estados Unidos sobre assuntos de controle internacional de armamentos com base no respeito mútuo", afirmou o porta-voz Lin Jian.

"Mas os Estados Unidos devem respeitar os interesses fundamentais da China e criar as condições necessárias para o diálogo", sublinhou.

A China denuncia regularmente as vendas de armas dos Estados Unidos à ilha e, de forma mais ampla, qualquer ação americana que dê a Taiwan alguma legitimidade internacional.

Em junho, os Estados Unidos aprovaram duas vendas de material militar a Taiwan, no valor total de cerca de US$ 300 milhões (R$ 1,64 bilhão).

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armas china EUA negociação nuclear Taiwan

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