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Debate ético envolvendo células-tronco embrionárias continuará nos EUA

Publicado quinta-feira, 24 de agosto de 2006 às 19:49 h | Atualizado em 24/08/2006, 19:49 | Autor: Agência AFP
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A possibilidade de obter células-tronco sem destruir os embriões - anunciada nesta quarta-feira por cientistas americanos - não põe fim à discussão ética envolvendo a pesquisa com células-tronco embrionárias nos Estados Unidos.



Apesar de a técnica dos cientistas da Advanced Cell Technology Inc (ACT), de Massachusetts, parecer dissipar as objeções morais do governo americano, porque não destrói os embriões, o debate poderá levar tempo, segundo especialistas.



"Ainda não avaliamos o estudo publicado ontem pela revista "Nature", mas o presidente acha que devemos acompanhar esse fato de perto", indicou nesta quinta-feira a porta-voz da Casa Branca Emily Lawrimore.



"Não acredito que essa descoberta fará diferença de imediato. As pessoas irão observar. Iremos averiguar mais, e levará tempo até a notícia chegar ao cérebro político e pesar no debate público", previu Stephen Hess, especialista da Brookings Institution.



"É a saída para o atual impasse político neste país e no mundo", celebrou o médico Ronald Green, presidente do conselho de ética da ACT e diretor do instituto de ética da Universidade de Dartmouth.



"Uma das principais objeções morais daqueles que se opõem à produção de células-tronco era o fato de todos os métodos implicarem a destruição do embrião", comentou Green. "A técnica da ACT supera esse obstáculo, e pode ter um papel importante no avanço da medicina regenerativa", indicou.



Mas James Battey, chefe da pesquisa com células-tronco do National Institute of Health, em Bethesda (NIH, Maryland), tem dúvidas. "É impossível dizer se a técnica nunca destruirá os embriões", apontou, assinalando que o método não é 100% seguro. "Vamos precisar de uma autorização legal do conselheiro-geral do Departamento de Saúde, para saber se a verba federal pode ser usada nessas pesquisas", acrescentou.



Outro problema, segundo ele, é que nada indica que a única célula extraída possa se transformar em um clone. "Nos coelhos, uma célula única pode se tornar um filhote. Com ratos, ninguém conseguiu isso, ainda. Mas com seres humanos, não sabemos se uma célula única pode se tornar um feto e, portanto, um bebê", indicou o biólogo do NIH.



Para a Conferência de Bispos Católicos Americanos, uma das organizações religiosas que apoiaram o presidente George W. Bush em seu veto, em julho, a um projeto de lei que flexibilizava os limites da pesquisa com células-tronco embrionárias, a descoberta da ACT "traz mais problemas éticos do que os soluciona".



Richard Doerflinger, um dos responsáveis pela seção antiaborto da Conferência, assinalou que "uma célula única pode se dividir e se tornar um novo embrião, um gêmeo idêntico". Os bispos também mostraram preocupação com o fato de que "não foi estabelecida a segurança da técnica da biópsia sobre o embrião".



Dessa forma, a Casa Branca garante que "o presidente Bush continuará apoiando as políticas que permitem avanços nas pesquisas importantes (...) sem apoiar a destruição de embriões humanos".



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