EUA e China reúnem-se no Havaí para tentar reduzir tensão

Publicado quarta-feira, 17 de junho de 2020 às 18:58 h | Atualizado em 17/06/2020, 19:00 | Autor: AFP

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, crítico vociferante da China, mantém nesta quarta-feira, 17, no Havaí, uma reunião a portas fechadas com um funcionário do alto escalão de Pequim, a fim de aliviar a tensão bilateral crescente.

Este é o primeiro encontro de alto escalão entre as duas potências desde o começo da pandemia, cuja responsabilidade o presidente Donald Trump tentou atribuir à China, convertida, cada vez mais, em seu alvo preferido antes das eleições presidenciais de novembro.

Pompeu se reúne em Honolulu com Yang Jiechi, funcionário veterano do Partido Comunista, que, segundo relatórios, solicitou o encontro em meio ao conflito entre Washington e Pequim. As duas nações mantiveram as conversas em sigilo e a presença de jornalistas não foi permitida.

"Espero que esta reunião reduza as tensões e suspeito de que tenha sido por isso que os chineses a propuseram, mas sou cética em relação a um resultado", comentou Susan Thornton, diplomata de carreira e ex-principal funcionária do Departamento de Estado na Ásia Oriental no governo Trump. "Acho que discutir a rivalidade entre Estados Unidos e China no contexto atual (da pandemia) está fora da realidade enfrentada pelas pessoas."

Pompeo, aliado incondicional de Trump e ao qual se atribuem aspirações presidenciais, liderou as denúncias contra a China, que acusa de ser "verdadeiramente hostil" aos Estados Unidos e de "impor implacavelmente o comunismo".

O renomado acadêmico americano Michael Swaine, especializado no tema China, afirmou que Pompeo "é a pior pessoa" para reduzir a tensão. "Mostrou que não entende nada de China e é, principalmente, um aficionado por polêmicas", tuitou Swaine, principal pesquisador do Carnegie Endowment for International Peace. "Fazer declarações ideológicas como se as mesmas constituíssem diplomacia ou algum tipo de estratégia é simplesmente vergonhoso para os Estados Unidos."

A tensão entre as duas maiores potências econômicas mundiais já estava alta antes da pandemia, desde que Trump impôs tarifas sobre bilhões de dólares em produtos chineses. Desde então, os dois países divergem sobre Hong Kong e Pompeo declarou que a ex-colônia britânica já não é autônoma na visão americana, uma vez que Pequim promove uma dura lei de segurança, que poderia criminalizar a dissidência.

Pouco antes da reunião de hoje, Pompeo e seus colegas do G7 divulgaram um comunicado conjunto sobre Hong Kong. Os chanceleres do grupo mostraram uma "grave preocupação" com a intenção da China de aplicar a lei de segurança: "Pedimos ao governo chinês que reconsidere sua decisão", diz o texto.

Sanções pela prisão de minorias

Trump promulgou nesta quarta-feira, 17 uma lei para punir funcionários chineses pela prisão de mais de 1 milhão de uigures e outros muçulmanos turcos naquele país asiático. "Esta lei mira nos autores das violações dos direitos humanos e de abusos como o recurso sistemático a campos de doutrinação, trabalhos forçados e uma vigilância intrusiva para erradicar a identidade étnica e as crenças religiosas dos uigures e de outras minorias na China", declarou o presidente americano em comunicado.

Ativistas pró-direitos humanos dizem que a China está subjugando as minorias, dentro de uma campanha de lavagem cerebral com poucos precedentes modernos. Pequim alega que os membros das minorias são levados para centros de educação vocacional que oferecem uma alternativa ao extremismo islâmico.

A China também respondeu às criticas destacando os abusos cometidos pela polícia nos Estados Unidos, um tema que desencadeou protestos mundiais.

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