MUNDO
Índia, Rússia e China discutem cooperação trilateral

Líderes da Índia, Rússia e China afirmaram que em suas conversações de hoje buscaram formas de promover conjuntamente a paz internacional e rechaçaram especulações de que as três potências asiáticas estão formando uma aliança estratégica para conter a predominância dos Estados Unidos no cenário mundial. Foi a segunda vez em dois anos que os ministros do Exterior dos três países se reúnem. O último encontro foi em Valdivostok, na Rússia, em junho de 2005. Também, o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh e os presidentes russo, Vladimir Putin, e chinês, Hu Jintao, realizaram sua primeira reunião de cúpula em São Petersburgo, também na Rússia, em julho.
O ministro de Assuntos Exteriores da Índia, Pranab Mukherjee, o chanceler russo, Sergey Lavrov, e seu colega chinês, Li Zhaoxing, disseram a jornalistas que na reunião de três horas na capital indiana foram discutidas formas de promover negócios, comércio e segurança energética entre os três países.
A "cooperação trilateral não está dirigida contra os interesses de nenhum país e visa, ao contrário, promover a harmonia e o entendimento internacionais", frisaram os ministros num comunicado conjunto divulgado após o encontro.
Coalizão
Os três países negam veementemente que estejam formando uma coalizão contra o domínio americano nos assuntos internacionais. Mas hoje, os líderes enfatizaram seu "forte compromisso" com a "diplomacia multilateral", uma referência à visão de que os três podem ser um contrapeso à tendência unilateralista de Washington. "Índia, Rússia e China, como países com crescente influência internacional, podem fazer contribuições positivas à paz, segurança e estabilidade globais", disse Mukherjee. Lavrov observou que a cooperação "mais do que a confrontação deve nortear o tratamento de assuntos regionais e globais" com ênfase maior na "democratização das relações internacionais".
Os três defenderam uma reforma das Nações Unidas a fim de tornar o órgão internacional mais eficiente no tratamento de conflitos entre e dentro de Estados e da ameaça apresentada pelo terrorismo global. A situação no Oriente Médio, os programas nucleares do Irã e da Coréia do Norte, o Iraque e esforços de reconstrução do Afeganistão também foram tratados na reunião.
A questão da segurança energética teve destaque nas conversações, com a Índia e China, cada vez mais dependentes de fontes de energia, de olho nas vastas reservas de petróleo e de gás da Rússia. "Todas as três economias estão crescendo muito rapidamente e o potencial para uma cooperação tripartite em comércio e energia é imenso", disse Li.