DIÁLOGO
Lula e Trump traçam segurança de fronteira e debatem crise venezuelana
Foram discutidos novos rumos da relação bilateral e reorganização da ordem global

Em uma conversa telefônica de caráter estratégico realizada nesta segunda-feira, 26, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o homólogo americano, Donald Trump, discutiram os novos rumos da relação bilateral e a reorganização da ordem global.
O diálogo ocorre semanas após a captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA, evento que alterou drasticamente o equilíbrio geopolítico na América do Sul.
Conselho da paz
O ponto de maior tensão diplomática foi o convite para que o Brasil integre o Conselho da Paz, órgão liderado por Trump para a reconstrução de Gaza. O órgão tem sido alvo de críticas por esvaziar a autoridade das Nações Unidas.
Lula adotou uma postura de "cautela colaborativa". O petista condicionou a participação brasileira a dois pilares:
- Que a atuação do Conselho se restrinja à ajuda humanitária e reconstrução de Gaza;
- Que o plano inclua formalmente a criação de um Estado Palestino.
Enquanto nações como Argentina e Arábia Saudita já aceitaram o convite — que exige um aporte de US$ 1 bilhão para adesão permanente —, França e Noruega rejeitaram a proposta.
A negativa francesa resultou em ameaças de Trump de aplicar tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses.
Estabilidade regional
Sobre a crise venezuelana, os dois líderes trocaram impressões sobre o governo interino de Delcy Rodríguez. Lula reiterou a Trump a preocupação com a estabilidade das fronteiras e a necessidade de garantir o bem-estar da população após a intervenção americana de 3 de janeiro.
A conversa também sinalizou um avanço na segurança pública. O Brasil propôs uma parceria com o Departamento de Estado para o congelamento de ativos e combate à lavagem de dinheiro, tema que ganhou urgência após a detenção de Maduro em Nova York por acusações de narcotráfico.
Tarifas
Na economia, o foco foi o "tarifaço" americano. Embora as alíquotas para alguns produtos do agronegócio tenham caído de 50% para 10% recentemente, o café brasileiro continua sofrendo com sobretaxas elevadas.
Trump sugeriu que o crescimento conjunto das duas maiores economias das Américas é benéfico para o continente, sinalizando abertura para novas rodadas de negociação.
Visita a Washington
O Palácio do Planalto confirmou que Lula deve viajar aos Estados Unidos ainda no primeiro trimestre. A visita de Estado vai ocorrer logo após os compromissos do presidente brasileiro na Índia e na Coreia do Sul, em fevereiro.
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