AJUSTE NO DISCURSO
Lula volta a defender fim da guerra na Ucrânia
Em Portugal, presidente brasileiro adotou tom mais equilibrado sobre as responsabilidades pelo conflito.

Por Da Redação com AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender uma solução negociada para a guerra da Ucrânia, mas adotou um tom mais equilibrado ao avaliar as responsabilidades do país invadido e da Rússia, que invadiu o território ucraniano e deflagrou o conflito que já dura um ano e dois meses.
Lula discursou durante a 13ª Cúpula Luso-Brasileira, que voltou a ser realizada em Lisboa após sete anos, e ouviu do presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, uma opinião dissonante. Rebelo defendeu a a integridade territorial ucraniana e disse que um eventual acordo de paz não pode "beneficiar o infrator".
Lula, que sofreu críticas pelas declarações emitidas na recente viagem aos Emirados Árabes, quando disse que a guerra seria responsabilidade dos dois países, fez questão de frisar que condena a postura russa e afirmou que nunca atribuiu à Ucrânia o mesmo peso na evolução do conflito.
"Eu nunca igualei os dois países, porque eu sei o que é invasão, eu sei o que é integridade territorial. Todos nós achamos que a Rússia errou. E já condenamos em todas as decisões da ONU. Mas a guerra já começou e é preciso parar a guerra. E para parar a guerra tem que ter alguém que converse e o Brasil está disposto", disse o petista em Portugal.
“A posição de Portugal é diferente”, rapidamente apontou o presidente do país, membro da União Europeia (UE) e da Otan, e um dos primeiros a fornecer tanques de guerra a Kiev. Contrariando Lula, Rebelo não acredita que a melhor solução para se atingir a paz seja a negociação.
"A posição portuguesa é diferente: sustenta que um eventual caminho para a paz supõe o direito prévio da Ucrânia de reagir à invasão, recuperando o que pode ou quer recuperar (...) da sua integridade territorial", afirmou Rebelo. E isso se deve a “uma questão de princípio, que não é para beneficiar o infrator”, frisou.
Chico Buarque
Esta é a primeira viagem de Lula à Europa desde que voltou ao poder em janeiro. De Portugal, Lula segue na terça-feira, 25, para a Espanha. Na segunda-feira, 24, após encontro com empresários, Lula participará da entrega da mais alta distinção da literatura de língua portuguesa, o Prêmio Camões, ao famoso cantor e autor brasileiro Chico Buarque.
Reconhecido por seu compromisso com a esquerda e contra a Ditadura Militar (1964-1985), Chico havia sido anunciado como vencedor em 2019, mas Bolsonaro se recusou a assinar os documentos necessários para que o prêmio fosse oficialmente concedido a ele.
Antes de voar para Madrid na terça-feira, Lula discursará no Parlamento português antes das comemorações do 49º aniversário da Revolução dos Cravos, que encerrou 48 anos de ditadura de direita e 13 anos de guerras coloniais para o país europeu na África.
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