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Milei privatiza hotéis populares e encerra turismo social na Argentina

Medida encerra política criada na década de 1940 por Perón

Isabela Cardoso
Por
Javier Milei, presidente da Argentina
Javier Milei, presidente da Argentina - Foto: Tânia Rego | Agência Brasil

O governo do presidente argentino Javier Milei deu início ao processo de transferência de hotéis estatais para a iniciativa privada, colocando fim a uma política de turismo social que existia no país desde a década de 1940.

A medida faz parte do programa de redução do tamanho do Estado defendido pelo atual governo e atinge complexos que ofereciam hospedagem subsidiada para trabalhadores e famílias de baixa renda por valores reduzidos.

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Fim de um modelo histórico

Criado durante a gestão de Juan Domingo Perón, o programa de turismo social tinha como objetivo ampliar o acesso ao lazer e às viagens para a população trabalhadora.

Os complexos administrados pelo Estado ofereciam diárias em torno de US$ 10 e se tornaram um dos símbolos das políticas sociais implementadas pelo peronismo ao longo das últimas décadas.

Hotéis serão concedidos ou vendidos

Em março deste ano, o governo anunciou a licitação para conceder à iniciativa privada, por 30 anos, o complexo de Chapadmalal, localizado próximo à cidade de Mar del Plata.

O terreno não poderá ser vendido devido às condições estabelecidas quando a área foi adquirida pelo governo argentino. Já outro complexo estatal, formado por sete hotéis na província de Córdoba, deverá ser privatizado integralmente.

Política de austeridade

A mudança ocorre após Milei eliminar, em 2025, a obrigação legal do Estado manter programas de turismo subsidiado.

Segundo o governo, a gestão de hotéis não deve ser uma função estatal e os recursos públicos devem ser direcionados para outras áreas. O orçamento destinado à atividade chegou a cerca de US$ 7 milhões em 2024.

O ministro da Desregulamentação, Federico Sturzenegger, argumentou que operadores privados têm maior capacidade de explorar o potencial turístico dos empreendimentos e ampliar sua atratividade econômica.

Demissões e reação da oposição

A decisão provocou críticas de sindicatos e de setores da oposição. Em maio, o governo demitiu os 50 funcionários que ainda atuavam no complexo de Chapadmalal, gerando manifestações e disputas judiciais.

Outro foco de tensão envolve o governador da Província de Buenos Aires, Axel Kicillof, adversário político de Milei. Ele solicitou autorização para que o governo provincial assumisse a administração dos hotéis, mas não recebeu resposta da Casa Rosada.

Debate sobre papel do Estado

A decisão reforça uma das principais bandeiras do governo Milei: a redução da participação estatal em atividades consideradas não essenciais.

Enquanto apoiadores veem a medida como uma forma de diminuir gastos públicos e aumentar a eficiência da gestão dos empreendimentos, críticos afirmam que o fim do turismo social pode limitar o acesso de trabalhadores e famílias de baixa renda a opções de lazer antes subsidiadas pelo Estado argentino.

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Argentina economia Javier Milei

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