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ONU: mundo teve 68,5 milhões de deslocados em 2017

Publicado terça-feira, 19 de junho de 2018 às 20:11 h | Atualizado em 19/06/2018, 20:11 | Autor: Marco Antônio Jr. l A TARDE SP
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O relatório anual da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da ONU (ACNUR) divulgado nesta terça-feira, 19, informou que em 2017 os números de refugiados ou deslocados internos motivado por guerras, é o maior da história onde 68,5 milhões de pessoas deixaram seus países em busca de melhores condições de vida.

O crescimento no número de refugiados de 2017 superou em dez vezes o índice registrado em 2016. Segundo a ACNUR, uma em cada 110 pessoas no mundo é forçada a se deslocar motivada por conflitos que acontecem em seu próprio país.

A Síria é a nação que mais teve mais refugiados no ano passado e a Turquia foi o país que mais recebeu imigrantes, segundo os dados da ONU.

Venezuela lidera na AL

A situação política e econômica da Venezuela faz o país latino-americano liderar os pedidos de asilo político na região. O Peru, Estados Unidos, Espanha e o Brasil são os destinos de quem busca uma vida melhor ao deixar o país governado por Nicolás Maduro, e que sofre com escassez de alimentos, alto desemprego e economia descontrolada, além do cerceamento da liberdade. Em 2017, 111.600 venezuelanos pediram abrigo em outros países, contra 34.200 em 2016.

Fora das estatísticas do pedido de asilo, o Brasil já recebeu cerca de 90 mil refugiados da Venezuela só em 2018, segundo o governo brasileiro. Vindos com permissão temporária ou até ilegalmente, cerca de 40 mil pessoas vivem no estado de Roraima e outros se deslocaram até os estados do Sudeste, geralmente São Paulo e Minas Gerais. Os dados não são confirmados pelo governo venezuelano.

O jornal El Nacional, de oposição ao regime de Maduro, censurado desde 2010, divulgou ontem que a Venezuela experimenta uma "falta de proteção nacional decorrente da situação dos refugiados". “O modus operandi desses grupos, que controlam territórios, recrutam crianças e violam as mulheres é equivalente a situações de guerra”, denunciou o Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, em entrevista.

Este ano o governo abriu um processo de investigação contra o El Nacional que não pode comprar bobinas de papel e conta com a colaboração de agências de notícia e jornalistas que atuam fora do país.

África e Oriente Médio

Segundo a ACNUR os maiores núcleos de guerra no mundo, além da Síria, no Oriente Médio, estão no Congo e no Sudão do Sul e entre Mianmar e Bangladesh. No caso da África Central, grupos de rebeldes que atuam contra regimes ditatoriais agrava a situação, cada vez mais distante de um governo democrático.

A situação mais preocupante, segundo o relatório, está no fluxo migratório da Síria para países como o Iraque, mas principalmente para a Turquia e o Egito. Um volume considerável de deslocados está na Líbia e na Tunísia, que lidera o fluxo rumo à Europa, especialmente para a Ilha de Malta, destino mais próximo, mas também para a Itália, Grécia e Sérvia, de onde se distribuem para os países mais desenvolvidos do norte europeu como a Suíça e a Alemanha.

"Estamos em um ponto de inflexão e para que a gestão dos deslocamentos forçados no mundo tenha êxito é necessário um enfoque muito mais integral, que não deixe apenas nas mãos dos países e das comunidades estas iniciativas", afirmou Grandi.

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