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Renúncia do papa Bento XVI completa um ano

Publicado terça-feira, 11 de fevereiro de 2014 às 14:00 h | Atualizado em 11/02/2014, 14:00 | Autor: Agência AFP
Papa Bento XVI
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Um ano depois de sua histórica renúncia, o papa emérito Bento XVI está recebendo as reverências que nunca recebeu durante seu papado em função de sua atitude não invasiva e um apoio leal a seu sucessor, o argentino Francisco.

Quando na manhã de 11 de fevereiro de 2013 o alemão Joseph Ratzinger leu em latim sua renúncia depois de oito anos de pontificado, se inaugurava uma nova página na história da Igreja católica.

O anúncio surpreendente concluía um papado marcado por perturbadoras denúncias de corrupção, pedofilia e intrigas internas e, inclusive, o vazamento de documentos sigilosos e roubado de seu próprio escritório.

"A renúncia de Bento XVI foi um grande ato de governo", comentou o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano desde a época do papa alemão.

"Foi um ato realizado com grande profundidade espiritual, grande preparação e grande coragem porque, ao ser uma decisão inédita, criou todo tipo de problemas e dúvidas", admitiu o religioso.

Um ano depois deste gesto, que surpreendeu fieis e leigos, teólogos, especialistas e vaticanistas analisaram o alcance de sua decisão.

"Estou convencido de que a História fará um julgamento que será diferente do que geralmente se escreveu nos últimos anos sobre seu pontificado", comentou à imprensa italiana o arcebispo e teólogo Georg Ganswein, secretário de Bento XVI e chefe da Casa Pontifícia de Francisco, a "ponte" entre os dois papas, que vivem dentro do Vaticano, separados apenas por imensos jardins.

Segundo fontes vaticanas, muitos dos erros que são atribuídos ao papa alemão são responsabilidade da maquinaria interna, uma Cúria romana ineficiente e concentrada em intrigas pelo poder.

Bento XVI causou, por exemplo, uma grande controvérsia com suas declarações em Ratisbona (Alemanha) em 2006, que provocaram uma onda de indignação e mortes no mundo muçulmano.

"Esse discurso deveria ter sido revisado pela Secretaria de Estado, que conhece as sensibilidades e problemáticas internacionais", comentou uma fonte que não quis ser identificada.

Dois papas amigos

Isolado do "barulho mundano", como anunciou antes de abandonar o Trono de Pedro, Bento XVI apareceu publicamente no último ano junto ao papa Francisco em apenas quatro oportunidades.

"Cumpriu o que prometeu, não tem interferido", comentou o bispo colombiano Octavio Ruiz, secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, ao explicar que não existem dois papas reinando no Vaticano.

"Eles trocam mensagens, conversam por telefone, trocam convites", contou Ganswein ao descrever a relação pessoal que os dois pontífices estabeleceram.

Depois de recuperar suas forças e o bom humor, o papa emérito se dedica à leitura, escreve e não se descarta que em 27 de abril participe da cerimônia de canonização de João XXIII (1958-1963) e João Paulo II (1978-2005), com quem trabalhou como prefeito da Doutrina da Fé e guardião do dogma durante 23 anos.

"Minha única e última tarefa é sustentar com a oração o pontificado de Francisco", escreveu em janeiro o papa alemão em uma carta enviada ao teólogo progressista suíço Hans Kung, na qual enfatiza que compartilha com o papa argentino "uma grande identidade de pontos de vista".

Depois de dissipar possíveis conflitos e rivalidades com seu predecessor, Francisco, com uma personalidade extrovertida e dez anos mais novo que Bento XVI (que fará 87 anos em abril), marca a pauta, quebra padrões com seus gestos espontâneos e tenta encarar os desafios da Igreja para recuperar o prestígio e conectar-se com o mundo moderno.

Ao final de um ano de uma convivência inédita na história recente, manteve a continuidade doutrinal, mas mudou o estilo de dirigir a Igreja.

Austeridade, seriedade, linguagem direta são alguns dos traços que caracterizaram os primeiros meses de governo do primeiro papa jesuíta, que tenta mudar a Igreja com uma espécie de revolução pacífica.

Ao intelectual, ao homem teórico, seguiu-se o homem de ação, de gestos, mas que, até agora, em essência, disse as mesmas coisas que seu antecessor.

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