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Ruralistas avaliam negociação com governo argentino

Publicado sexta-feira, 28 de março de 2008 às 07:58 h | Atualizado em 28/03/2008, 07:58 | Autor: Agencia Estado
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A cúpula das entidades ruralistas começam a avaliar hoje o apelo da presidente Cristina Kirchner para suspender os protestos agropecuários e dar início à uma negociação. Porém, os líderes querem que o governo coloque as cartas sobre a mesa e mostre a sua proposta antes de tomar a decisão de suspender os piquetes. "O discurso de ontem não teve o mesmo tom que o de terça-feira e legitima os pequenos produtores ao dizer que não haverá tratamento igual ao dos grandes, mas queremos ver como vão valorizar os pequenos produtores, antes de nos comprometermos a terminar o locaute", afirmou o presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi.

O líder dos pequenos produtores disse que, durante a noite de ontem e nesta manhã, os piquetes foram mantidos e serão mantidos "enquanto os ministros (Alberto) Fernández (Chefe do Gabinete da Presidência) e (Martín) Lousteau (de Economia) traduzem o que a presidente disse em seu discurso". Segundo Buzzi, "se hoje os ministros nos dizem, por exemplo, que a retenção para os pequenos produtores de soja será de 20% e não de mais de 40%, como determina a medida oficial do último dia 11, a situação será diferente e os piquetes poderiam ser suspensos".

Buzzi explicou que os protestos continuam porque "não está claro do que se trata o chamado ao diálogo da presidente Cristina", que pediu "humildemente" aos dirigentes do campo a suspensão do locaute e dos bloqueios das estradas e rodovias para negociar. "As portas da Casa Rosada estão abertas para iniciar o diálogo, mas por favor, suspendam a medida contra o povo", disse Cristina em um discurso de mais de uma hora. A presidente, no entanto, ratificou a medida que mudou o sistema de cobrança dos impostos de exportações (as retenções), elevando a tarifa da soja para mais de 40%, podendo chegar a 50%, dependendo do valor internacional do produto.

Cristina disse que as retenções são necessárias para manter o equilíbrio dos preços internos e ajudam a distribuir a renda no país. Fontes do governo explicaram que na mesa de negociações seriam colocadas propostas para dar um tratamento diferenciado aos pequenos produtores, no sentido de que não paguem um valor tão alto de retenções. Essa é a principal reivindicação dos cerca de 90% dos agricultores que estão hoje bloqueando as rodovias e estradas. Apenas 10% dos produtores rurais do país são considerados grandes e ameaçam com não suspender o locaute se o governo não rever a medida. Cristina repetiu que não voltará atrás na decisão de elevar as retenções, mas indicou que a reveria para os pequenos produtores.

"Quero esclarecer que não somos nem gorilas, nem golpistas e tampouco vamos ser funcionais aos 2.200 homens que manejam 60% da soja no país", afirmou Buzzi indicando que se o governo oferece um percentual menor de retenção para os produtores, a negociação será fechada e os agricultores deixarão o locaute. Porém, existe um setor mais duro dos produtores, na Província de Entre Ríos, que continua engasgado com os insultos e ataques antes proferidos por Cristina ao homem do campo.

Em Gualeguaychú, principal ponto de concentração do protesto em Entre Rios, os agricultores se resistem a suspender os piquetes para negociar porque não acreditam no discurso oficial. Com um piquete armado no quilômetro 43 da rodovia 14, a chamada rodovia do Mercosul, os agricultores lideram o maior dos quase 400 bloqueios de rotas no país. "Foi um discurso mentiroso e carregado de revanchismo", afirmou o líder da Federação Agrária na região, Alfredo DAngelis, ressaltando que só deixará o piquete quando tiver uma proposta na mão assinada e selada.

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