Sobrevivente do 11 de setembro relembra atentado: 'Foi um grande choque'

Publicado sexta-feira, 10 de setembro de 2021 às 10:09 h | Atualizado em 10/09/2021, 10:25 | Autor: Redação

Na véspera de completar 20 anos, os ataques terroristas do 11 de setembro, que derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center em Nova Iorque, coração dos Estados Unidos, continuam a reverberar na geopolítica mundial e na mente de quem vivenciou o episódio.

Em entrevista para o Isso é Bahia, da rádio A TARDE FM (103.9), a gestora de empresas e fundadora do Jornal Joca, o primeiro jornal para jovens e crianças do Brasil, Stéphanie Habrich contou sobre os momentos de choque e horror que passou naquele 2001, quando trabalhava para o setor financeiro na torre sul do complexo.

Nascida na Alemanha e radicada no Brasil, Stephanie relembrou o horror dos primeiros momentos, nos quais quem estava no centro do ataque ainda buscava entender o que estava acontecendo naquele dia que mudou o mundo.

"Eu agradeço todo dia por tudo que eu pude realizar depois. Uma tragédia, uma coisa assim forte, muda a vida e o pensamento da gente. Eu estava na segunda torre, no quarto andar, e da minha mesa de trabalho eu conseguia ver a outra torre. Nem lembro se eu ouvi alguma coisa, lembro que vi a bola de fogo enorme e a gente saiu correndo pelas escadas. Deixei a bolsa, meu celular, tudo na mesa, e quando a gente chegou em baixo que a gente olhou pra cima, a primeira coisa que se falava era de que um avião de acrobacias havia perdido o controle e se chocado com o prédio. Nisso pensei que logo seria liberado o retorno e fiquei esperando. Depois de uns quinze e poucos minutos veio o outro avião. Um barulho muito forte e nesse momento eu achei que estavam bombardeando a gente. Saí correndo tentando me abrigar em algum prédio, mas todos já estavam fechados e quando olhei para cima comecei a ver gente caindo do alto", relembrou.

"Eu não queria ver essa coisa horrível, eu queria ligar pros meus pais, não tinha telefone, nada tava funcionando. Então eu entrei no metrô, eu já tava descalça e o metrô demorou muito tempo para chegar, obviamente por conta do que estava ocorrendo acima. Fui para a casa de uma amiga e só depois de umas três ou quatro horas fui entender de verdade o que estava acontecendo. Antes disso eu estava em choque e ainda bem que não fiquei para ver o que ia acontecer, pois muita gente morreu nos destroços quando as torres caíram", contou.

Ainda segundo Stéphanie, na noite dos atentados, a população de Nova Iorque se reuniu para se confortar e tentar entender aquele sentimento de "luto em comum" que passaria a permear a cidade.

"Na mesma noite, as pessoas já se juntavam em vários lugares da cidade com velas nas mãos, rezando, cantando, se abraçando e pra quem conhece em Nova Iorque é uma coisa muito nova. Pois no dia a dia as pessoas quase não se falam, é barulho de avião, de ambulância, de carro, de moto, e nessa noite não havia barulho nenhum. Apenas as pessoas se manifestando e tentando entender esse luto em comum. Todo mundo tentando se ajudar", ilustrou.

Ainda de acordo com Stéphanie, que mudou de carreira radicalmente após o ocorrido, o pós-atentado foi uma fase de aprendizado e que contraria a ideia romantizada de "guinada na vida" a partir de um fato importante.

"Quando eu eu quis mudar de carreira na verdade, não é uma coisa assim tão romantizada como a gente sempre acha, né? Não é algo do dia pra noite, aconteceu e vou mudar de carreira! É um processo, né? Que você faz, você começa a se questionar, realmente é isso que eu quero? Aí acabei de fazer meu mestrado e me dei um tempo para se pensar. Meus pais assinavam jornais para jovens e crianças e eu, que cresci no Brasil, sempre tive muito interesse por isso. Quando vi que não existia um jornal pra jovens e crianças, eu quis fazer", pontuou

"O jovem precisa saber o que tá acontecendo, né? Falo com muitas pessoas que dizem "nossa Stéphanie, se eu tivesse tido um jornal como o Joca, eu teria entendido o que estava acontecendo. O jornalismo é feito é de adulto pra adulto e as crianças e adolescentes tem outras perguntas. Então o que a gente faz, não é que a gente use uma linguagem diferente no jornal, mas sim contextualizar os fatos para que eles entenderem o que ocorre no mundo".

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