Transplante duplo de pulmão salva americano com câncer terminal

Operação bem-sucedida dá novas esperanças a outros pacientes que estão em estágios avançados da doença

Publicado quinta-feira, 24 de março de 2022 às 23:25 h | Atualizado em 24/03/2022, 22:41 | Autor: AFP
Apesar do estágio avançado, o câncer de Khoury não havia se espalhado para outras partes do corpo, o que permitiu que a cirurgia fosse realizada
Apesar do estágio avançado, o câncer de Khoury não havia se espalhado para outras partes do corpo, o que permitiu que a cirurgia fosse realizada -

Médicos dos Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira, 24, que realizaram com sucesso o transplante dos dois pulmões de um homem com câncer terminal, dando novas esperanças a outros pacientes que estão em estágios avançados da doença mortal.

Albert Khoury, um não fumante de 54 anos, se submeteu a uma cirurgia de sete horas para receber seus novos pulmões no hospital da Northwestern Medicine em Chicago, em 25 de setembro de 2021.

Seis meses depois, os pulmões estão funcionando bem e não há sinais de câncer em seu corpo.

"Minha vida foi de zero a 100...", disse o paciente, que agora leva uma vida normal e pode trabalhar e ir para a academia sem necessidade de assistência respiratória.

"O transplante de pulmão para o câncer de pulmão é extremamente raro e são poucos os casos conhecidos", disse em um comunicado Ankit Bharat, chefe de cirurgia torácica da Northwestern Medicine.

"Para os pacientes com câncer de estágio 4, o transplante de pulmão é considerado um completo 'não', mas, como o câncer de Albert estava alojado somente no tórax, tínhamos certeza de que poderíamos eliminar todo o câncer durante a cirurgia e salvar sua vida", explicou Bharat.

Albert Khoury, de 54 anos, trabalha no setor de construção civil na cidade americana de Chicago
Albert Khoury, de 54 anos, trabalha no setor de construção civil na cidade americana de Chicago |  Foto: NORTHWESTERN MEDICINE | AFP
 

No início de 2020, Khoury trabalhava como finalizador de concreto para a cidade de Chicago, quando começou a sentir dores nas costas, espirros, calafrios, tosse e secreção. De início, pensou que era covid, mas foi ao médico depois que começou a tossir sangue, e foi a partir daí que veio o diagnóstico de câncer.

De maneira geral, os cirurgiões são reticentes a realizar esses transplantes porque, mesmo que restem poucas células cancerígenas, existe uma grande chance de que elas voltem a crescer em um paciente que toma medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição dos órgãos transplantados.

Os poucos procedimentos deste tipo efetuados no passado não tiveram êxito, mas, desde então, os avanços da ciência permitiram uma melhor compreensão dos médicos sobre a propagação do câncer.

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