Um terço da riqueza florestal mundial e da América Latina sob ameaça

Publicado quarta-feira, 01 de setembro de 2021 às 15:10 h | Atualizado em 01/09/2021, 15:16 | Autor: Jordi Zamora | AFP

Um terço da riqueza florestal da América Latina e do Caribe está ameaçada de extinção, percentual semelhante ao do restante do planeta, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira, 1.

Das quase 60 mil espécies de árvores catalogadas em todo o mundo, cerca de 30% estão ameaçadas de extinção, de acordo com o relatório elaborado pela Botanic Gardens Conservation International (BGCI).

A América Latina e o Caribe é de longe a região com a maior riqueza florestal: quase 24 mil espécies de árvores classificadas (40% do total mundial), das quais 7 mil estão ameaçadas (31%).

Apenas 31 espécies são consideradas definitivamente "extintas" (0,1%), segundo esta classificação mundial, cuja elaboração exigiu cinco anos de trabalho de uma rede de organizações oficiais e não governamentais em todo o mundo.

A região do planeta mais afetada pelo risco de extinção é a África. Das pouco mais de 9 mil espécies de árvores classificadas, quase 40% estão ameaçadas. A agricultura, a extração de madeira e a pecuária respondem por 70% das ameaças, enquanto as mudanças climáticas apenas 4%.

Nos últimos 300 anos, a superfície florestal caiu 40% em todo o mundo. Vinte e nove países perderam mais de 90% de suas árvores.  Isso praticamente iguala com a Revolução Industrial, que representou um crescimento econômico e demográfico sem paralelo na história da humanidade, que dobrou sua expectativa de vida. 

Sete culturas de matérias-primas são responsáveis por mais da metade do desmatamento em todo o mundo, explica o Botanic Gardens Conservation International. Mas também existem outras razões.

O jacarandá hondurenho (Dalbergia stevensonii) é uma árvore centro-americana cuja madeira é incrivelmente densa, muito valorizada para a fabricação de instrumentos musicais.

Por conta da demanda, as matas dessa apreciada espécie em Belize praticamente desapareceram, e a árvore está na Lista Vermelha de espécies ameaçadas, "criticamente ameaçadas de extinção".

Não se trata simplesmente de reflorestar, mas de fazê-lo com as espécies de árvores mais adequadas, e com variedade, para tentar imitar a aleatoriedade da natureza.

"As espécies de árvores que evoluíram ao longo de milhões de anos, adaptando-se às mudanças climáticas, não podem agora sobreviver à devastação causada por ameaças humanas", explicou Jean-Christophe Vié, CEO da Fundação Franklinia.

Situação na Amazônia

De acordo com outro estudo também publicado nesta quarta-feira na revista Nature, a situação é preocupante na bacia amazônica, de longe a sub-região mais rica e biodiversa do planeta. Os resultados mostram que entre 103.079 e 189.755 km2 da floresta amazônica sofreram incêndios desde 2001, de acordo com o estudo. 

A floresta amazônica, que se estende pelo território de nove países, tem uma área total de cerca de 5,5 milhões de km2. Essa área diminuiu 20% em relação à década de 1960, lembra o estudo. "O impacto dos incêndios foi menor entre 2009 e 2018, mas observamos um aumento em 2019, que coincidiu com um relaxamento das políticas florestais" no Brasil, o país mais afetado, lembra Xiao Feng, autor do estudo, à AFP. 

Para cada 10.000 km2 de floresta queimada, cerca de 30 espécies de plantas e 2,5 espécies de animais sofreram uma perda significativa de habitat.

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