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Vítimas de atentado abrem processo civil na Irlanda

Vítimas do pior ataque extremista da história da Irlanda do Norte abriram hoje um processo civil contra cinco supostos líderes de um grupo paramilitar dissidente do Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês). É a primeira vez que vítimas de terrorismo no país entram no Judiciário com uma ação civil.
A Suprema Corte de Belfast, há sete anos cuidando do caso, trata da ação, que envolve pelo menos 10 milhões de libras (US$ 20 milhões, ou R$ 34 milhões) em indenizações. "É como uma vitória moral chegar a esse estágio", afirmou um comunicado divulgado por parentes dos 29 mortos. "Pela primeira vez, cidadãos estão confrontando terroristas nos tribunais", disse o principal advogado do caso, Lord Daniel Brennen.
O atentado ocorreu em 15 de agosto de 1998, em Omagh. Um carro-bomba explodiu na principal rua de comércio da cidade. O número de vítimas foi alto porque a polícia, apesar de ter recebido avisos vagos por telefone, fez a retirada das pessoas do local de forma pouco planejada.
Ninguém foi condenado por ligação com o atentado. A ação da dissidência do IRA conhecida como IRA Autêntico tinha como objetivo minar o apoio popular ao Acordo da Sexta-feira Santa, firmado no início daquele ano e que acaba de completar uma década em vigor.
Os cinco homens acusados de ter papéis de liderança no IRA Autêntico - Michael McKevitt, Liam Campbell, Colm Murphy, Seamus Daly e Seamus McKenna - negam responsabilidade pelo ataque. Eles não compareceram à sessão de hoje. Todos ficaram presos na República da Irlanda por outras acusações envolvendo o grupo paramilitar.