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FESTAS JUNINAS

Por que a Igreja Católica não reconhece Santo Antônio como o "santo casamenteiro"?

Várias simpatias ligam o nome do santo à busca por um marido e a memória se reproduz

Alan Rodrigues
Por Alan Rodrigues
Santo Antônio é apontado como casamenteiro
Santo Antônio é apontado como casamenteiro - Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

Virar o santo de cabeça para baixo, mergulhar nomes na água, fincar uma faca numa bananeira, são apenas algumas das simpatias que povoam a memória de devotas de Santo Antônio aso longo de gerações.

Mas, por que Santo Antônio é apontado como casamenteiro? Nem a própria Igreja Católica sabe dizer. Alguns relatos fornecem pistas, mas não há nada que comprove a capacidade do santo de interceder na busca por um marido.

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Uma dessas histórias faz referencia a uma jovem que jogou a imagem do santo pela janela após não ter seu pedido de casamento atendido. A imagem teria acertado um rapaz, que a devolveu e acabou se apaixonando por ela.

Outro relato, citado pelo canal oficial de notícias do Vaticano, atribui a fama de casamenteiro a um ato de caridade de Antônio, mais condizente com seu perfil.

Segundo o artigo publicado pelo ‘Vatican News’, o santo ajudava as mulheres que não conseguiam se casar por falta de dote. Dote era o valor pago pela família da mulher ao futuro esposo naqueles tempos. Antônio, então, recorria à generosidade das pessoas para viabilizar o matrimônio.

Uma variação dessa história é que o santo teria entregue um bilhete à moça, para que levasse até um comerciante que, após ler a mensagem, a pediu em casamento.

Comprovada ou não, a intervenção atribuída a Antônio na busca por um marido contribuiu para sua popularidade e deu origem a várias simpatias que passaram de geração em geração. Em algumas Festas Juninas, reza a lenda que provar o “bolo de Santo Antônio” aumenta as chances de encontrar um parceiro.

A fama se espelhou tanto que o dia dos namorados, no Brasil, foi criado na véspera do dia dedicado ao santo. E não tem nada a ver com tradição regligiosa. Foi o publicitário João Dória, pai do ex-Governador de São Paulo, que instituiu a data em 1948, com o objetivo de movimentar o comércio e o sugestivo slogan: “Não é só com beijos que se prova o amor”.

Difícil mesmo é encontrar entre as devotas de Santo Antônio quem admita já ter recorrido a alguma simpatia. “Ninguém quer parecer encalhada”, diz o professor de história aposentado da UFBA, Milton Moura.

Inês Guerra é devota e realiza em sua casa as orações da trezena de Santo Antônio. Ela garante que nunca fez simpatia. Não porque não acreditasse, mas por receio do resiltado. ”Nunca pedi casamento a Santo Antônio porque tinha medo que mandasse o primeiro que passasse’,diz D. Inês, casada há 53 anos com, quem diria, Antônio Guerra. Antes dele, namorou outros dois Antônios.

Ela lembra que, das simpatias conhecidas, havia a que a jovem escrevia as letras do alfabeto em pedações de papel dobrados e mergulhava na água. No dia seguinte, as letras que se abrissem seriam as iniciais do (s) pretendente (s).

Outra simpatia muito conhecida é mergulhar a imagem do santo de cabeça para baixo na água até que o pedido fosse atendido. Lourdes Santiago, também devota de Santo Antônio, lembra ainda da prática de enfiar uma faca na bananeira para que, no dia seguinte, a inicial do futuro marido aparecesse na lâmina.

Cátia Palma nunca fez simpatia, mas se casou após 21 anos de vida conjugal, pouco depois que passou a participar da trezena de Santo Antônio. E, assim, mesmo sem comprovação ou chancela da igreja, a tradição se perpetua e fortalece a relação de Antônio com o casamento.

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