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Estação da Lapa carece de manutenção e limpeza

Publicado quinta-feira, 27 de novembro de 2008 às 17:47 h | Atualizado em 27/11/2008, 19:37 | Autor: Paula Pitta, do A TARDE On Line
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Estrutura com infiltrações, pisos quebrados ou soltos, lixo espalhado, bueiros entupidos com copos plásticos, papel de bala e garrafas de água, escadas quebradas. Este é o cenário encontrado pelos usuários da Estação de Transbordo da Lapa, a maior de Salvador, com uma média diária de circulação de 460 mil pessoas.

“Precisa de reforma. É muito abandono. No subsolo a situação ainda é pior. Fede o tempo todo. É apavorante ficar ali, parece que vai cair”, diz a assistente administrativa, Aidil Amaral, usuária do terminal.

O vendedor Genilton de Jesus, que tem um ponto de doces no subsolo da Estação, diz que quando chove o piso inferior fica completamente inundado. Pelas paredes, é possível ver as marcas dos alagamentos, além de infiltrações no teto.

“Trabalhar aqui é muito ruim, é calor, barulho intenso e má iluminação. Quando um ônibus passa no piso de cima, parece que o teto vai cair. Fico no medo disso desabar”, diz.

Lixo - A sujeira incomoda os usuários. Lixo espalhado por todo lado, bueiros entupidos, paredes sujas e baratas são facilmente vistos no local.  A empregada doméstica Meire Cruz, que está grávida, não agüenta ficar de pé muito tempo esperando o ônibus, como não tem lugar para sentar nos terminais, ela diz que o jeito é sentar no chão. Para isso, tira um pedaço de papel de dentro da bolsa e forra um espaço próximo ao meio-fio.

Além dos problemas de estrutura e manutenção, a Estação da Lapa virou lar para moradores de rua.  No meio da manhã, a reportagem encontrou dois homens dormindo no chão em um dos pisos da estação.

A assistente administrativa Aidil Amaral diz que a presença de mendigos dormindo ou fazendo necessidades no terminar é corriqueira: “Você tem que se deparar com situações que chocam, logo de manhã cedo. É um inconveniente. Até porque não podemos fazer nada e o poder público não se mobiliza”.

Outros exemplos – Se os usuários da Lapa têm várias queixas, nos terminais de Pirajá e Mussurunga a situação é diferente. “Aqui é mais organizado, em comparação com a Lapa, é um paraíso. A Lapa é uma calamidade, um desastre”, diz a artesã Maria de Fátima Mota.

A reportagem percorreu as estações de Pirajá e Mussurunga e não encontrou problemas de manutenção e limpeza. Mas, apesar de satisfeitos com a manutenção em Pirajá, alguns passageiros estão incomodados com o transporte no local. A artesã Maria de Fátima reclama da fiscalização no início do dia: “Pela manhã aqui é uma bagunça. Não tem fiscal. É uma confusão”, diz.

Cerca de 130 mil pessoas passam por esta estação por dia, que conta com uma frota de 199 ônibus. Em Mussurunga, são 30 mil passageiros por dia, para 80 ônibus. Já a Lapa tem 460 mil usuários, para uma frota de 511 veículos.

Reforma – A estação da Lapa é a mais antiga das três em funcionamento na cidade, com 26 anos de construção. Pirajá tem 14 anos e Mussurunga, sete.

O titular da Superintendência de Transportes Públicos (STP), Mateus Moura, afirma que a Lapa passa por reforma parcial desde outubro de 2007. “Não é possível fazer uma reforma total, pois seriam necessários entre R$1,5 e R$ 2 milhões, recurso que a STP não dispõe. Por isso, fizemos reformas parciais nas questões mais urgentes e gastamos R$380 mil”.

O superintendente garante que não há risco de desabamento. “Aquela estrutura é composta de uma série de lajes superpostas, que deixam espaço para a passagem de água. As pessoas dizem que o concreto pode cair, não existe esta possibilidade. A sustentação é feita pelos cabos de aço na área externa”, explica. No entanto, em 1999, um dos tirantes (cabo de aço citado pelo superintendente) rompeu devido à oxidação do tempo.  

De acordo com Mateus Moura, houve tratamento de impermeabilização em alguns pontos que apresentavam infiltração, como no mezanino que dá acesso ao Colégio Central. “Ainda há alguns pontos a serem feitos”, acrescenta o superintendente.

Sobre os pontos para iluminação sem as lâmpadas e a reclamação de sujeira no terminal, a justificativa da STP é que nos dois casos trata-se da ação de vândalos “Fizemos a revisão elétrica da Estação, mas trocamos uma lâmpada hoje, amanhã já quebraram. Também há uma equipe de limpeza no local”, enfatiza.

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