OLHAR RUBRO-NEGRO
A necessidade de valorizar a base
Por Jornalista l [email protected]
Na primeira rodada do Campeonato Brasileiro, outra partida que assisti com atenção, além do empate entre Vitória e Flamengo, foi o duelo entre Santos e Ceará. O que mais me despertou o interesse nessa partida foi o fato de o time paulista contar na formação com uma série de jogadores jovens, muitos deles oriundos das categorias de base. Surgiu em mim um misto de saudade e inconformismo. Era assim, apostando na prata da casa, que o Rubro-Negro atuava até a primeira década desse século.
Valorizar os talentos formados em casa é um caminho longo para dar frutos, porém é saída mais viável para o Leão deixar o estágio de letargia técnica em que se encontra.
Justiça seja feita. A política de impulsionar a base ganhou corpo com a chegada de Newton Motta ao clube, pelas mãos do ex-presidente Paulo Carneiro, no início dos anos 1990. Esse aspecto e a consolidação do Estádio Manoel Barradas como mando de campo mudaram a história do clube. A partir do fortalecimento da base, o Vitória passou a ter resultados mais expressivos, que fomentaram a popularização da torcida. O vento virou a nosso favor, com o time assumindo a hegemonia estadual e obtendo boas campanhas nacionais no período.
Mudança na atual década
No entanto, a situação vem mudando de figura na atual década. As safras boas escassearam, sendo cada vez mais raros os talentos oriundos das categorias inferiores. A reboque da seca de talentos aproveitados na equipe profissional, a impaciência da torcida com o desempenho dos jovens tem se tornado maior. Como dizem os versos da Legião Urbana, a primeira vez é sempre a última chance. A espera pelo necessário tempo de maturação não tem sido uma prática e as cobranças desproporcionais em cima de jogadores ainda verdes acabam comprometendo as chances desses atletas vingarem.
O excesso de expectativa sobre o rendimento dos pratas da casa é um malefício em dose dupla: para os jogadores, que são cobrados além da conta, e para os próprios torcedores, que se frustram à espera de uma espécie de Messias nascido na manjedoura da Toca, com o dom divino de nos dar as conquistas mais relevantes que todos almejamos.
Cotas de televisão
É sabido que a principal fonte de receitas dos principais clubes do País vem das cotas de televisão. A maior faixa é ocupada por Flamengo e Corinthians, que recebem R$ 170 milhões. Ao Vitória, coube em 2018 R$ 35 milhões. Como competir em igualdade de condições com tamanha disparidade? Uma saída seria o clube ser comprado por um magnata do petróleo. Enquanto isso não ocorre, não vejo outro caminho senão fortalecer a base.
Precisamos voltar a contar com pelo menos quatro ou cinco titulares da casa todos os anos. Claro que é importante ter dois ou três nomes mais experientes para dar suporte a esses jovens. Essa fórmula foi a que nos rendeu os melhores momentos em termos nacionais. Ao mesmo tempo, cabe ao torcedor apoiar na medida certa a prata da casa. De preferência, tendo a mesma paciência que dispensa a alguns medalhões pouco produtivos.
Saudações Rubro-Negras, hoje e sempre!
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