OLHAR RUBRO-NEGRO
A virtude da paciência
Por Jornalista | [email protected]

Início de temporada não é momento para avaliações definitivas. Após as férias, os jogadores buscam o melhor condicionamento. No caso do Vitória, há um atenuante a mais para blindar críticas precipitadas. O time foi remontado, com a chegada de novos nomes, ainda sem entrosamento. Por tudo isso, é muito cedo para qualquer juízo de valor a respeito do jogo contra o Atlântico, que teve mais cara de treino.
Amistosos valem para colocar a equipe em movimento. Ficar só nos treinos pode ser bom para integrar o elenco, aprimorar a tática e corrigir defeitos. Mas jogador gosta mesmo é da disputa, ainda que envolvendo uma partida amistosa. Não houvesse o clima de embate, Euller não comemoraria daquela forma vibrante o gol que deu o triunfo sobre o caçula da primeira divisão estadual. Imagem marcante e oposta ao semblante de velório após sua falha contra o Atlético-PR, pela Série A de 2016.
Além da boa presença de público para um amistoso sem apelo, a notícia positiva foi o meia Jhemerson. Descoberto em uma Copa São Paulo, jogando pelo Araxá-MG, foi fisgado para a base rubro-negra. Entrou confiante e agradou. A expectativa é que não se perca pelo caminho e suma do mapa, como as recentes revelações.
Jhemerson joga no setor que mais se investiu para reforçar. Existem algumas dúvidas a respeito da condição física dos meias contratados, devido à inatividade por conta de lesões, mas é inegável a qualidade técnica da nova turma. Com todos na plenitude da forma, Argel terá fartura de opções para a criação, panorama inverso ao que vivenciou na temporada passada, de clara dependência por Marinho.
Por outro lado, o treinador precisará gerir recursos humanos. Não haverá espaço para todos jogarem ao mesmo tempo. Caminho aberto para insatisfações de quem figurar no banco e não tiver profissionalismo para aguardar a oportunidade. Um problema não tão incomum em elencos promissores, como esse que o Vitória está montando.
A paciência também tem que ser exercida pela torcida nesse início de temporada. Ainda não será na largada do Nordestão que o time apresentará o melhor futebol e eventuais tropeços no início da caminhada não devem causar tanto espanto. Mesmo sabendo que o brasileiro foca a avaliação sobre o desempenho de um time com base no imediatismo dos resultados, é preciso maturidade para entender que a temporada é uma maratona, não uma corrida de 100 metros.
A nota lamentável do amistoso foi o estado pavoroso do gramado do Barradão. A bola até rolou sem problemas no jogo passado, mas o aspecto estético espantou. A justificativa foi a falha por parte da empresa responsável pela manutenção do piso. Seria melhor usar alternativas de mando de campo, como Pituaçu ou Fonte Nova, até que o problema seja sanado. Melhor deixar a casa própria fechada por um tempo a mostrá-la longe das melhores condições.
Para fechar, dois pontos positivos extra futebol profissional masculino. O primeiro foi o título estadual conquistado pelo time feminino, quebrando longa hegemonia do São Francisco. Que o projeto se mantenha e cresça. O outro aspecto é a excelente campanha do Vitória no Novo Basquete Brasil. Em sua segunda temporada, o Leão está entre os primeiros, com presença quase assegurada nos playoffs. A torcida vem se fazendo presente no ginásio em Cajazeiras, mostrando que o clube valoriza modalidades além do futebol e tem a palavra esporte em seu nome não por acaso.
Saudações Rubro-Negras, hoje e sempre!
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