OLHAR RUBRO-NEGRO
É o caos...
Por Jornalista l [email protected]
O caos é um tema explorado nas narrativas de diversas religiões e correntes filosóficas. Ele geralmente é descrito como um estado onde tudo está confuso, amorfo e indecifrável. O lado bom é que, passada a tempestade, viria a bonança. O caos seria o ponto que precederia a ordem. É sob esse prisma que tento buscar uma visão otimista do atual estágio do Vitória, imerso em uma situação institucional caótica. Espero que toda a confusão política do clube, com reflexos negativos dentro de campo, seja aquela parte ruim de um filme, antes do aguardado final feliz.
A semana que está acabando foi a parada abrupta de um trem desgovernado. Dois dos principais diretores do clube pediram demissão do cargo: Sinval Vieira, diretor de futebol, e Augusto Vasconcelos, diretor jurídico. Este último, de elogiada condução durante o momento crítico recente (o ‘Caso Victor Ramos’), alegou problemas para conciliar o trabalho no clube com outros compromissos profissionais.
Já o primeiro não resistiu à pressão diante das seguidas más apresentações e a contestação de algumas contratações. As queixas vieram não só dos torcedores, mas também dos conselheiros do clube, que teriam pedido a sua saída na última reunião deliberativa, causando a irritação de Sinval. A insatisfação dos conselheiros se estende ao próprio presidente do clube, Ivã de Almeida, alvo de uma articulação política para deixar o cargo, seis meses após sua assunção.
A situação do diretor de futebol mostra o quanto o esporte é uma roda-gigante. De elogiado no início da temporada, por conta da contratação de nomes reconhecidos no futebol, passou a ser qualificado com adjetivos nada agradáveis. Um golpe duro em alguém com muitos serviços prestados ao clube, embora reconheça a pertinência de muitas das críticas.
O caos rubro-negro se mostra de forma mais dramática quando analisamos a situação de Petkovic. Em menos de um mês, o sérvio assumiu três cargos diferentes no clube. Ele foi contratado para ser gerente de futebol, aquele que faz a ponte mais aproximada entre os dirigentes e jogadores, com participação nas contratações de atletas. Como não foi acertada a vinda de um substituto para Argel, caiu em seu colo a função de treinador. Agora, com a saída de Sinval Vieira, veste a farda de diretor de futebol. Como pode dar certo tamanha confusão?
De temperamento forte, Petkovic já se indispôs com a principal referência de liderança em campo, o volante Willian Farias. Péssimo cartão de visitas para ganhar a confiança dos jogadores, categoria marcada pelo imenso corporativismo. De quebra, o gringo começa a arranhar a imagem de ídolo da torcida, construída em sua bela passagem como jogador do Leão entre 1997 e 1999. Nunca pensei em ver alguém tão celebrado no clube ser chamado impiedosamente de burro, como se ouviu na derrota para o Coritiba.
Já estamos na zona de rebaixamento. A tendência é permanecer por lá nas próximas rodadas, pois a sequência das rodadas a seguir é duríssima – Fluminense e São Paulo, fora de casa; Atlético-MG e Botafogo, voando na Libertadores, em Salvador. Promessa de mais gasolina na fogueira rubro-negra. Que os hidrantes estejam disponíveis para uso imediato.
Saudações Rubro-Negras, hoje e sempre!
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