OLHAR RUBRO-NEGRO
Resenha Rubro-Negra: Xô, tranca rua!
Por Moysés Suzart

A fé pode até remover uma montanha, mas só um ebó moralizador pode mudar o destino de uma partida de futebol ou de um clube. Indo de encontro ao saudoso João Saldanha, macumba ganha jogo, sim. Principalmente aqui na Bahia, a depender da qualidade do despacho. Sou do tempo em que pré-jogo significava uma oferenda para o orixá regente, de preferência atrás do gol, no gramado e na saída do vestiário visitante. Era tiro e queda. Em tempos modernos de pré-jogo em que o ritual é apenas uma JBL ligada tocando sertanejo, em verdade vos digo: fizeram um trabalho pesado contra o Vitória, especificamente no Barradão. E precisamos agir!
Minhas suspeitas começaram em 2017, quando o time não ganhava uma em casa. Eu ainda era assessor do clube e sugeri a convocação de um pai de santo para fazer aquele trabalho poderoso no gramado. Estava tudo esquematizado na mente. Uma famosa digital influencer já tinha me passado o contato de um terreiro lá da Federação. O pai era até rubro-negro. O trabalho seria à meia-noite, para expulsar de vez o tranca rua. Contudo, foi uma época em que se vazava até conta de luz do clube. A turma ficou com receio da imprensa descobrir e acabou barrando meu plano infalível. Depois, tentei até fazer justiça com as próprias mãos. Junto com um colega, enchemos o Barradão de sal grosso, inclusive no gramado, nos bancos de reserva e nas traves, no duelo contra a Ponte Preta. Acreditem ou não, vencemos por 3 a 1. Infelizmente, o ritual foi descoberto pela imprensa e me barraram pela segunda vez. O resultado? Só conseguimos vencer mais duas em casa pela Série A. Escapamos por um milagre dos deuses, ou melhor, da Chapecoense.
Gastei tantas linhas para chegar a um questionamento importante. Quando o Barradão deixou de ser sinônimo de Vitória? Quando fizeram este trabalho espiritual contra nossa instituição centenária? Desconfio que toda essa força oculta atrasando nosso lado começou no final de 2012, quando trocamos todo o sistema de drenagem e gramado para a Copa do Mundo. Certeza que enterram uma cabeça de bode durante as obras. Depois daquela reforma geral para se enquadrar na praga chamada padrão Fifa, perdemos nossa força como mandante nos Brasileiros. De 2013 a 2019, em apenas dois anos conseguimos desempenho superior a 50%. Em 2013, obtivemos 68% e terminamos em quinto na Série A. E em 2015, pela Segundona, atingimos 70% dos pontos em casa e subimos. Nos demais anos, fomos uma lástima. Em 2017 batemos todos os recordes, com apenas 24% de aproveitamento. Antes desta mudança estrutural, nunca tínhamos ficado abaixo dos 50% nos Brasileiros de pontos corridos (com 20 clubes). O segredo também está na mudança da famosa grama pesada e fofa do estádio, que matava qualquer adversário. Uma arma que perdemos para o padrão Fifa.
Este ano, apesar das dificuldades, o dever de casa está sendo feito. Estamos com a quinta melhor campanha entre os mandantes da Série B, com 77% de aproveitamento, atrás apenas de Paraná, Operário, Chapecoense e Cuiabá. Nossa margem para conseguir o acesso é quando alcançamos desempenho superior a 70% em casa, como foi em 2007, 2012 e 2015. Em 2011 não subimos, mesmo fazendo 66%. Vencer amanhã o Cuiabá, no nosso terreiro, não será suficiente para entrar no G-4, mas permaneceremos na cola. Lógico, precisamos de um time (muito) mais técnico para assegurar o acesso. Entretanto, bom ou ruim, o segredo está na força que teremos no Barradão. Vale apelar para as forças ocultas. Se quiserem, ainda tenho aquele contatinho...
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