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A infância e o clima

Confira o Editorial desta sexta-feira

Redação
Por Redação
Imagem ilustrativa da imagem A infância e o clima
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Os números revelados pelo “Relatório de Risco Climático das Crianças 2026”, das Nações Unidas – Unicef deveriam soar como um alarme global a fim de mobilizar um mutirão gigantesco pela vida. Deveriam, mas uma fração considerável de governos chama estas produções de conhecimento de “alarmismo”, a começar pela superpotência negacionista, os Estados Unidos.

Os cientistas revelaram uma verdade perturbadora: quase metade das crianças e adolescentes do planeta – 1,1 bilhão de indivíduos – vive hoje sob a ameaça simultânea de pelo menos três riscos climáticos. Não se trata de uma projeção distante, mas de uma realidade com potencial de comprometer saúde, educação e, em muitos casos, a própria sobrevivência.

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Há muito tempo a crise climática deixou de ser um debate técnico entre especialistas para se tornar uma emergência humanitária envolvida em gigantesca injustiça por atingir, sobretudo, quem menos contribuiu para provocá-la. As ameaças se distribuem entre calor extremo, secas prolongadas, enchentes, queimadas e tempestades. A infância, etapa da vida inspiradora de proteção, tornou-se o primeiro campo de impacto da devastação ambiental.

No Brasil, são 16 milhões de crianças expostas a três ou mais riscos climáticos – o equivalente a três em cada dez meninos e meninas. Em um país marcado por desigualdades históricas, os efeitos do clima tendem a aprofundar vulnerabilidades já existentes.

Ondas de calor atingem com mais força quem vive em moradias precárias; secas prolongadas afetam comunidades em contexto de insegurança hídrica; enchentes e queimadas desestruturam famílias inteiras e interrompem trajetórias escolares. O relatório do Unicef expõe a indiscutível falência de um modelo de desenvolvimento incentivado pela ignorância e desdém dos limites ambientais e sociais.

Na velocidade destrutiva atual, estimulada pelas obsolescências programada e artificialmente conduzida, a espécie humana precisaria dispor de três ou quatro planetas. Mas só há um, a Terra – ao menos por enquanto.

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