OPINIÃO
A libertação digital
Confira o Editorial desta terça-feira


Novas bibliotecas comunitárias em condomínios entregues pelo projeto Minha Casa, Minha Vida e um sistema para assistir produções nacionais na internet, o streaming Tela Brasil, estão entre as iniciativas do governo federal, por meio do Ministério da Cultura, para ampliar o acesso da população à cultura. As ações buscam aproximar os brasileiros de obras literárias e audiovisuais produzidas no país, fortalecendo a relação da sociedade com sua própria identidade cultural.
A ideia é ampliar a sensação de pertencimento à nação para além de símbolos tradicionais, como as camisas da seleção brasileira de futebol, por meio do acesso à identificação cultural proporcionada pelo livro e pelo cinema. Os investimentos nessa soberania de viés simbólico, mas não menos importante, alcança uma dimensão desegurança nacional, devido à relevância da autoestima.
No lançamento do streaming – “transmissão em fluxo contínuo”– o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou seu espontâneo didatismo. Atribuiu o chefe de estado à ampliação de conhecimento a possibilidade de as pessoas poderem enxergar como de fato são, o jeito de ser – chamado desde os antigos de “ethos”.
De “ethos” vai derivar a palavra “ética”: como sequer combinar melhor o convívio da cidadania brasileira livre e independente de quaisquer ingerências estrangeiras. A oferta inicial de 550 filmes disponíveis alcança retorno inestimável.
Ideologias das trevas; discriminação de mulheres; banalização de preconceitos; extração de recursos das classes populares; para estas doenças, o melhor remédio é o saber. O baiano Glauber Rocha e o nosso Cinema Novo, Walter Sales, Cacá Diegues, Hector Babenco, Jayme Monjardim, entre outros e outras, agora estão ao alcance geral.
Por acréscimo, o governo federal anunciou a continuidade nos investimentos da Biblioteca Digital MEC Livros, por enquanto dotada de 25 mil preciosos títulos. A consistência dos projetos em favor da cidadania implica pensar a ambiguidade da internet, pois o mesmo meio de disseminação de ódio pode servir para libertar, vai depender da intenção de quem comanda a navegação virtual.