OPINIÃO
A mouca fiscalização
Confira o Editorial desta sexta

Por Redação
Alvoradas de fogos de artifício; cultos de seitas em altos brados de louvor; carros de patrulha com sirenes ligadas em exibicionismo; múltiplas propagandas aos gritos via novas tecnologias.
São variadas as manifestações de dificuldade de convívio por força da poluição sonora, mas o maior registro de denúncias recai contra bares e restaurantes.
O contexto sugere uma população enfrentando seus próprios limites educativos, entendendo-se como básico respeitar o direito de deixar em paz o ouvido alheio.
Aqui, entra uma condição fenomeno- lógica: a audição é um sentido indefeso, não se delibera ouvir um barulho e selecionar uma música, pois a captura do entorno sonoro pelo tímpano é plena e absoluta.
Mesmo tentando se fazer de mouco, não se consegue evitar os decibéis acima do limite.
Vocacionada para a pândega, e acostumada com a impunidade, a turma barulhenta vai quebrando recordes negativos como os quase 10% de alta em relação a 2024, em volume de denúncias, segundo apurou reportagem de manchete d’A TARDE.
Nesta época, na qual a inclinação ao hedonismo supera as práticas virtuosas, a laúza preenche madrugadas, incluindo paredões – farras informais nas quais os aparelhos empilhados lembram uma parede em pisca-pisca.
A alegação de infratores – respaldados pelas gestões públicas – é a da necessidade econômica, associando as algazarras a transferências via pix.
O mais curioso: cabe à própria Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) contabilizar as reclamações, assinando, portanto, o flagrante perfeito da prefeitura da qual faz parte.
Mais ou menos como o técnico põe a culpa nos jogadores, depois da derrota, é a instituição, mantida pelo contribuinte para trabalhar pelo bem comum, quem se exime de seu dever, induzindo a entender como normal a ampliação da irregularidade.
Falta apenas, mas então seria talvez uma poluição de ordem moral, calcular quantas notificações com base na Lei do Silêncio foram emitidas em2024 e no ano passado para comprovar uma possível leniência.
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