OPINIÃO
A vergonha do Congresso
Confira o Editorial desta quinta-feira

Um episódio vergonhoso, sugerindo falta de bom senso e razoabilidade, contrariou a bonita e valorosa história de 200 anos do Congresso Nacional. O esforço depreendido para depoimentos e investigações na CPI do Crime Organizado terminou em patética tentativa de ataque a autoridades do Judiciário.
Em manobra movida a descaro e desfaçatez, o relatório final pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República. A nódoa seria bem maior, não fosse o placar apertado de seis votos a quatro pela rejeição do surpreendente pedido.
Não é o caso de blindar as autoridades; não se trata de rechaçar a proposta para proteger quem quer que seja, pois a República se faz com direitos e deveres iguais. O descrédito do pedido se deve ao descompasso entre a verdade dos fatos e mesmo o conflito de versões, atropeladas pelo desejo de culpar magistrados.
Serviu o desperdício para aumentar a percepção da necessidade de renovar a Casa Legislativa em outubro, pois o Brasil não merece o acinte de tamanho despudor. Ficou evidente o quanto interesses de pequenos grupos – pequenos moralmente, mas não em número – são levados em alta conta como prioridade.
Todavia, não se deve generalizar, pois trata-se de erro lógico dilatar do particular para o todo: há os parlamentares à altura do Plenário Ulysses Guimarães. Quanto aos tolos capazes de se organizar para jogar fora esforço, tempo e dinheiro, poderiam fazer um favor à democracia: evitem tentar a reeleição.
Perdeu a sociedade brasileira porque um tema da maior relevância foi tratado com desleixo, deixando-se de apresentar no resultado os verdadeiros envolvidos. Por outra: não se deve descartar a possibilidade de a manobra erguer redoma protetiva sobre os líderes do crime organizado em conluio com agentes públicos.
Seja qual for a interpretação do episódio, resta a sensação de pouco caso desses representantes do povo distantes do perfil de seriedade exigido para o trabalho.
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