OPINIÃO
Combate fundamental
Confira o editorial do jornal A TARDE desta segunda-feira


O Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nos lembra hoje da necessária vigilância, o tempo inteiro, para inibir ocorrências. Dentro da proposta de associar os meses a cores para alertar sobre temas de relevância social, a efeméride está inserida na campanha “Maio Laranja”.
Todo esforço coletivo passa por desconstruir uma inibição de pais, mães, avós e responsáveis, gerações após gerações ensinadas a evitar enfrentar a questão. É impossível negar o assédio, com o agravante de os crimes acontecerem frequentemente no próprio lar, com autoria ou cumplicidade dos adultos que deviam saber comportar-se e honrar a responsabilidade de proteger os pequenos vulneráveis.
São duas as barreiras comunicacionais a remover, uma da dificuldade de falar de sexo com meninas e meninos; e a segunda, a de proteger-se os algozes com o silêncio. O adoecimento vem da relação precária entre quem detém a força, nos sentidos físico e social, e quem está construindo sua identidade, ameaçado pelo abuso.
Resta avaliar como se pode orientar as crianças, neste contexto adverso, pois a falta de experiência impede constatar a gravidade de certos tipos de carícias e violações. Exceto se um outro adulto perceber a movimentação estranha, ligar para o Disque 100 é ação desconhecida e impossível para vítimas menores poderem narrar os fatos.
Uma outra observação, histórica e factível, é a estupidez de homens convencidos da impunidade, não-raro estupradores bêbados utilizando o véu da noite para suas sevícias. Já houve avanços, como no caso das moças pretas do interior, trazidas para trabalhar em casas de família, onde serviam de iniciação para os rapazes.
No entanto, há muito trabalho pela frente, sugerindo frente multidisciplinar envolvendo pedagogos, comunicólogos e gente da internet para fornecer as armas da informação. As crianças precisam ser ensinadas para saberem identificar quando seus corpos estão sendo abusados e quem as abusa precisa sentir medo de ser denunciado e penalizado.