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EDITORIAL

Democracia ou sigilo

Nenhum valor é bom em si, dependendo sua avaliação do contexto ao qual está vinculado

Da Redação

Por Da Redação

08/01/2023 - 6:00 h
Avaliação pela CGU deixa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vigília na encruzilhada
Avaliação pela CGU deixa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vigília na encruzilhada -

Nenhum valor é bom em si, dependendo sua avaliação do contexto ao qual está vinculado: o sigilo pode ser útil em estratégias de guerra ou investigações policiais; portanto, a transparência não se sustenta em condição absoluta ou divinal.

Ao validar este pressuposto, entende-se por benfazeja a cautela de verificar se há razões para abrir arquivos, quando se tem por suporte a interpretação do “interesse público”.

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O contexto torna-se mais delicado quando se confirmam segredos em relação às Forças Armadas, sabendo-se o quanto a inteligência deve tabelar com a cautela a fim de impedir contra-ataques.

A aceleração da coragem, do conhecimento e da justiça teriam como freio a prudência, como é o caso das possíveis implicações do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na desastrosa gestão da pandemia.

Informações confiáveis sobre registros de armamento e visitas ao Palácio do Planalto, além da produção de cloroquina, falso remédio contra Covid-19, pelo Exército, acrescentariam à relação da lista secreta a ser ou não publicizada.

A avaliação pela Controladoria-Geral da União (CGU) deixa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vigília na encruzilhada, pedindo-se todo axé à entidade responsável por gerir os caminhos nas melhores direções.

A trilha levaria, no limite, à bicondicional excludente de grau máximo: ou o chefe de Estado eleito mantém rijo o tônus da democracia e manda abrir as pastas, ou tenta uma saída conciliatória, seguindo sua visão de exímio leitor de conjunturas.

Esta opção pode remanescer ao ano de 1979, quando o perdão a extremistas guiados pelo ódio preservou ideário recidivo em 2019, com o retorno de adeptos do extermínio, ainda de consequências imprevisíveis, apesar da derrota nas urnas em 2022.

Como fiel da balança, a “suspensão de 100 anos” das divulgações não tem qualquer respaldo jurídico ou civilizatório, dependendo de sua revogação as notícias-crime contra o ex-presidente, seus filhos, apoiadores de coturno, além de civis envolvidos com ilícitos.

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